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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Curva perigosa à direita

"Fiquei preocupado ao ver escrito num dos caminhões que tentaram parar o país as palavras de ordem 'Fora Dilma' e 'Fora comunismo'", diz o colunista Alex Solnik; "Não havia ameaça em 1964 e muito menos agora que o comunismo acabou no mundo. O governo Dilma é um governo democrático, não há sinal algum de que caminhe em sentido diferente"

"Fiquei preocupado ao ver escrito num dos caminhões que tentaram parar o país as palavras de ordem 'Fora Dilma' e 'Fora comunismo'", diz o colunista Alex Solnik; "Não havia ameaça em 1964 e muito menos agora que o comunismo acabou no mundo. O governo Dilma é um governo democrático, não há sinal algum de que caminhe em sentido diferente" (Foto: Alex Solnik)

Fiquei preocupado ao ver escrito num dos caminhões que tentaram parar o país as palavras de ordem “Fora Dilma” e “Fora comunismo”.

“Fora Dilma” eles têm todo o direito de escrever, mas “Fora comunismo” está completamente fora de qualquer contexto e cheira a buscar o mesmo pretexto dos golpistas de 64, que derrubaram Jango por haver “ameaça comunista”.  Mas isso é inaceitável, ver o mesmo filme de 50 anos atrás! Em vez de irmos para a frente caminhamos para trás!

Não havia ameaça em 1964 e muito menos agora que o comunismo acabou no mundo. O governo Dilma é um governo democrático, não há sinal algum de que caminhe em sentido diferente.

Nem mesmo o PCdoB prega o comunismo e sim exalta a democracia.

Não sei se o “fora comunismo” denota apenas falta de informação e irresponsabilidade política de um pequeno e restrito grupo de brasileiros ou tem alguma representatividade e intenções inconfessáveis.

O passado da presidente não tem nada a ver com o presente nem com o futuro do Brasil. Estamos inseridos inequivocamente no mundo capitalista e democrático, com todas as instituições funcionando, eleições livres, Judiciário independente, Bolsa operando.  

Não há mais espaço nem é hora de questionar o regime político brasileiro. Esse debate não existe. Já estamos bastante enrolados para debater também isso. Precisamos é retomar a estabilidade política. Quando terminar essa queda de braço interminável entre Dilma e Cunha a situação econômica também vai tender à estabilização. E dessa forma a perspectiva de o país voltar a crescer também será maior. E será melhor para todos, inclusive para os caminhoneiros.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.