Da sabujice à altivez e de volta à sabujice

Após o golpe de 2016, a primeira medida do ministério de notáveis bandidos e entreguistas de Temer foi a de retirar da Petrobras a condição de operadora exclusiva do pré-sal, bem como suspender os efeitos da lei que destinou 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação

Temer FHC
Temer FHC (Foto: Enio Verri)

Durante os governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o Brasil rastejava para quem pagasse qualquer valor. Orgulhoso de protagonizar papel periférico no jogo sem regulamentação do liberalismo mundial, FHC deu, por R$ 3 bilhões, uma das maiores empresas de mineração do mundo, a Vale do Rio Doce que, à época, valia cerca de R$ 100 bilhões. No governo de FHC, afundou-se uma plataforma de petróleo e mudou-se o nome de uma das maiores petroleiras do mundo, a Petrobras, para Petrobrax.

Essas e outras investidas contra não apenas essas duas empresas, mas também as teles. Em todos os casos houve um franco sucateamento, com esvaziamento de almoxarifados, desinvestimento nas empresas, programa de demissões voluntárias. Esses são o modus operandi tucano para reduzir o Brasil a um estado mínimo e submisso aos países centro de poder. O sucateamento foi acompanhado pela mesma imprensa que apoia o golpe de 2016, que serviu de caixa de ressonância do discuso do governo, repetindo diariamente que o moderno é privatizar.

A imprensa que diariamente massacra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores (PT) defendeu, com um espaço mínimo para o contraditório, a venda de tudo que estivesse ao alcance de FHC e fosse do interesse do mercado financeiro. Tudo sob o sacrossanto manto da modernidade de enxugar a máquina estatal e de reduzir o Estado. Ao fim e ao cabo de sua administração, os ricos estavam ainda mais ricos, e morriam de fome, também diariamente, mas não noticiado, 300 pessoas, todas miseráveis, sendo a maioria de crianças e velhos.

Em 2007, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a descoberta, pela Petrobras, do pré-sal, o passaporte brasileiro para o desenvolvimento com inclusão e justiça social, como ele se referia. Uma área com mais de 100 mil km², onde estão abrigados aproximadamente 100 bilhões de de barris de petróleo, cuja produção está na ordem de 2,6 milhões de barris por dia. De 2007 a 2017, o Brasil passou da 17 para a 10 posição entre os maiores produtores do petróleo do mundo.

Lula tornou a Petrobras a operadora exclusiva do pré-sal, em 2010. Investiu na indústria naval, encomendou a construção, no Brasil, de 40 navios petroleiros e autorizou a construção de um submarino nuclear para monitorar e defender nossas reservas. As medidas estimularam a criação de milhões de empregos, em várias cadeias produtivas, fizeram a economia brasileira crescer e o Brasil ter mais visibilidade positiva no exterior.

Após o golpe de 2016, a primeira medida do ministério de notáveis bandidos e entreguistas de Temer foi a de retirar da Petrobras a condição de operadora exclusiva do pré-sal, bem como suspender os efeitos da lei que destinou 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação. O gesto valeu a vinda do CEO da Shell ao Brasil para cumprimentar o senador José Serra, do mesmo partido de FHC, o PSDB. Ele veio agradecer a gentileza de o Brasil entregar para eles o bilhete premiado anunciado e valorizado pelo Lula.

Em 2014, Dilma registrou o início da fabricação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Um projeto de R$ 2,7 bilhões para levar sinal banda larga, com potência de até 150MB, para os 50% dos lares brasileiros ainda desconectados da internet. Segundo o projeto, 70% da capacidade do satélite deverão ser usadas para a implementação de políticas públicas, em 100 mil escolas rurais e urbanas, postos de saúde, museus, bibliotecas.

A mais nova dos sabujos da elite que ocupam o Palácio do Planalto é a de entregar o SGDC à iniciativa privada. A camarilha de Temer marcou para o dia 27 de setembro a venda de 57% da capacidade do satélite. E só não vai entregar 80% porque houve pressão de entidades ligadas à área, tanto da defesa quanto da educação e da pesquisa científica. O Brasil está refém desse governo sabujo e entreguista, que submete o País aos interesses do liberalismo financeiro internacional.

Creio que todos os brasileiros diriam que não merecem uma representação subalterna, de quinta categoria. A permanente ocupação das ruas é condição sine qua non para voltarmos a ser uma nação altiva e soberana, quando o mundo mais respeitou o Brasil. Esse tempo foi justamente quando foram criados e aplicados os mais exitosos programas dos governos do Partido do Trabalhadores.

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