Dados de pesquisa do IBGE traduzem golpe em números

"Desde que os golpistas paralisaram o país para cuidar da execução do golpe, a economia despencou no precipício da incerteza e dos duros golpes desfechados nos empregos, pela Lava-Jato, comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro e os seus procuradores amestrados. Não é “retórica”. É estatística", diz Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia

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Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia - É fartamente conhecida a frase do ex-presidente americano, Bill Clinton, dita em resposta a um assessor de sua campanha para a reeleição de 1992.  As pesquisas de opinião o mostravam atrás do senador por Massachussetts, Paul Tsongas, nesse estado, e um dos seus funcionários quis saber o porquê. “É a economia, estúpido”, teria dito, Clinton.

Por aqui a sua resposta precisaria ser adaptada, caso nos perguntássemos, hoje, por que o fosso da desigualdade se alarga gritante e cruelmente. “É a política, estúpido”, seria o troco mais conveniente.

A direita tem insistido em apontar o dedo para os governos do PT como “fabricantes do caos” a que estamos submetidos na economia. Não são poucos os que classificam o discurso daqueles a quem chamam “esquerdistas”, de “retórica dos derrotados”. Porém, o que dizer, quando esse discurso desemboca em números tão sugestivos quanto irrefutáveis?

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), que trata de todas as fontes de rendimento dos brasileiros, divulgada ontem pelo IBGE, aponta o Brasil entre os 15 países mais desiguais do mundo, além de exibir o dado mais devastador dos últimos tempos: os 1% mais ricos do país, ou seja, o topo da pirâmide, ficou 8,4% mais rico ainda. Em compensação, na base achatada dos miseráveis, que se constitui dos 5% mais pobres a renda mensal caiu 3,2%. 

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Enquanto os governos Lula e Dilma resgataram da linha abaixo da pobreza, 36 milhões de pessoas, os governos golpistas não só os derrubaram ladeira abaixo, como o atual (des)governo os empurra, pisando nos dedos dos que ainda estão agarrados às bordas, congelando o salário mínimo.

Entrevistado pelo jornal O Globo, que não teve alternativa a não ser mostrar o quadro real que nos apresenta a pesquisa do IBGE, o economista Marcelo Neri, da FGV, não tem recado otimista. “O aumento da desigualdade foi muito forte. Não é um processo que está refluindo com a superação da recessão. A renda do trabalho nunca foi tão concentrada”, espantou-se. Da mesma maneira, isto é, de forma clara, a gerente da Pnadec ouvida pelo jornal explicou: “A população ocupada vem crescendo, o rendimento vem crescendo, mas essa ocupação vem da informalidade. Por isto esse aumento da desigualdade.”

Traduzindo: os 1% mais ricos nadam no conforto e na estabilidade, e o piso da pirâmide se vira de sol a sol para subsistir, apenas. A pesquisa mostra, ainda, que lá na rabeira, existem 600 mil pessoas que nem sequer conseguem esta condição e, perto da inanição, tocam como podem o cotidiano com R$ 90,00. Dá para imaginar? Não. Melhor não. E é Neri quem de novo cutuca a ferida, legitimando o discurso que os de “esquerda” fazem, com um dado inarredável. “A perda dos mais pobres foi muito intensa desde 2014”. (...) “O ano de 2015 foi de subida forte da desigualdade, aumentando menos em 2016 e 2017 (época em que tudo parou para ver o impeachment passar – destaque nosso) e voltando a subir em 2018. A pobreza vem crescendo no mesmo ritmo desde 2014, o ponto mais baixo da série”, conclui Neri.

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Caso os que costumam manter a memória ativa queiram se dar o trabalho de fazer o link entre economia e política, vai ver que os dados da Pnadc validam, sim, o que os progressistas vêm apontando desde que Aécio vociferou, com total apoio de FHC, em 2014, que Dilma não governaria nem um dia. Desde que os golpistas paralisaram o país para cuidar da execução do golpe, a economia despencou no precipício da incerteza e dos duros golpes desfechados nos empregos, pela Lava-Jato, comandada pelo ex-juiz Sérgio Moro e os seus procuradores amestrados. Não é “retórica”. É estatística. É o golpe traduzido em números. E a previsão dos economistas é a de que o quadro só poderá iniciar alguma reversão em 2030. Não era só tirar a Dilma?

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