Dallagnol diz que é “técnico” e se recusa a ir a comissão de políticos

Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia, diz que as alegações do procurador Deltan Dallagnol para não comparecer à Câmara "pegaram mal entre deputados" e que agora "é muito provável, segundo alguns, que a resposta de Dallagnol vá provocar, agora sim, uma medida mais forte". "Na prática, a recusa do procurador mostra que, no mínimo, a força tarefa teme as perguntas que lá ouviria", comenta a colunista

O procurador Deltan M. Dallagnol fala durante seminário da EMERJ, no Tribunal de Justiça, no centro do Rio.
O procurador Deltan M. Dallagnol fala durante seminário da EMERJ, no Tribunal de Justiça, no centro do Rio. (Foto: Tomaz Silva/ABR)

Por Helena Chagas, dos Divergentes e Jornalistas pela Democracia - O caso Vaza Jato esquentou e o ambiente não anda dos mais tranquilos na força-tarefa de Curitiba. 

O procurador Deltan Dallagnol mandou nesta segunda-feira 8 ofício à Comissão de Direitos Humanos da Câmara informando que não irá nesta terça à audiência pública para falar sobre as mensagens de conversas com o ex-juiz Sergio Moro divulgadas pelo The Intercept e outros veículos. 

Como é convite, e não convocação, ele pode não comparecer, embora a presença estivesse confirmada. 

Suas alegações pegaram mal entre deputados.

É muito provável, segundo alguns, que a resposta de Dallagnol vá provocar, agora sim, uma medida mais forte. 

Como se trata de um procurador, e não de um ministro de Estado, há dúvidas se uma comissão temática poderia obrigá-lo a comparecer. Uma CPI, certamente – e é bom não esquecer que a CPMI das Fake News está para ser instalada. De qualquer jeito, a ida de Dallagnol ficaria para agosto, depois do recesso.

Desagradou especialmente o tom do oficio, considerado impertinente ao insinuar que a Câmara trataria apenas de debates políticos, enquanto o Ministério Público, do qual faz parte, cuida de questões “técnicas”. 

Dallagnol se diz “impossibilitado” de atender ao convite da comissão porque, como membro do MP,  “instituição essencial à Justiça”, tem como função constitucional “desempenhar trabalho de natureza técnica perante o Judiciário, outro poder, situação distinta daquela de agentes públicos vinculados ao Poder Executivo”.

“Muito embora tenha sincero respeito e profundo apreço pelo papel do Congresso nos debates de natureza política que realiza e agradeça o convite para neles participar, acredito ser importante concentrar na esfera técnica minhas manifestações sobre mensagens de origem criminosa, cuja veracidade e autenticidade não reconhecemos, e que vêm sendo usadas para atacar a Operação Lava Jato”, conclui.

Na prática, a recusa do procurador mostra que, no mínimo, a força tarefa teme as perguntas que lá ouviria – que provavelmente seguiriam a linha das que inquiriram o o ministro Sergio Moro. 

Também podem ter contado para a decisão de Dallagnol o agravamento do clima em torno da Vaza Jato, reforçado por novas revelações de Veja e da Folha no fim de semana. 

Da mesma forma, a declaração do presidente da Casa, Rodrigo Maia, de que as mensagens deveriam ser divulgadas e examinadas também pode ter contribuído para a desistência.

Com Moro pedindo férias e Dallagnol evitando chegar perto de Brasília, multiplicam-se em Brasília os rumores de que alguma coisa está para acontecer nesse caso…

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