Datafolha cristaliza o fascismo nascente no Brasil

Para o doutor em Ciências Sociais Robson Sávio Reis Souza, a pesquisa Datafolha, divulgada neste domingo (8), traz como "a novidade que se cristaliza" o fato de que "algo em torno de 15% da direita brasileira é protofascista" e que "a esquerda precisa radicalizar sua posição para mostrar as contradições brasileiras" caso queira mudar os retrocessos que estão se avolumando pelo país

Uma análise da pesquisa Datafolha de hoje:

1. Não há polarização: 30% dos eleitores são de direita; 30%, de esquerda e 40% totalmente voltados a um pragmatismo vivencial: para os excluídos, a melhor promessa do momento (aqui entram a manipulação midiático-empresarial e, no contexto atual, as redes de fake news de ultradireita) é que vale. A "promessa" já foi à esquerda, com Lula/Dilma; agora, à direita.

2. A novidade que se cristaliza nessa pesquisa: algo em torno de 15% da direita brasileira é protofascista (fascismo em sua vertente inicial).

2.1. O clã Bolsonaro e personagens como Olavo de Carvalho atuam para mobilizar essa parcela da população. São, claramente, antidemocráticos, autoritários e violentos. Constantemente, insuflam o terrorismo de Estado.

2.2. A direita tem uma arma poderosa em sociedades capitalistas: o poder do dinheiro - dos que não têm compromisso com a democracia de fato (empresários, banqueiros, latifundiários, think tanks...).

2.3. Mas, o poder dos sentimentos e dos afetos, ou seja, o poder simbólico, é a grande disputa do momento. Este jogo está em aberto.

3. Parte dos protofascistas estão a disputar o poder simbólico utilizando o discurso religioso (o meio mais eficaz de disseminar discursos de ódio). Há um imenso investimento financeiro no neopentecostalismo.

3.1. A esquerda, em boa medida, está sem uma bandeira afetiva e mobilizadora. Lula encarna, em certa medida, esse vácuo.

4. Mesmo assim, a direita, definitivamente, não é imbatível. Argentina provou que o ultraliberalismo não responde às demandas de sociedades marcadas pela desigualdade e injustiça estruturais.

4.1. Mas, a esquerda precisa radicalizar sua posição para mostrar as contradições brasileiras. Caso contrário, os 40% dos eleitores "folha de bananeira" (que vão à onda do vento) continuarão na passividade (altíssimos índices de absenteísmo eleitoral), na omissão (imobilização social) ou conivência com os que gritam mais alto.

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