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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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De Belô

Quem entra num bar ou feira para tomar leite?!

De Belô (Foto: Mateus Bonomi/Reuters)
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De uma hora para outra você passa a dever o que não comprou. A pauta é bomba, caro contribuinte! Por trás dos bastidores os projetos de maluco, a pauta-bomba. Na dancinha de Alcolumbre retaliaram um naco de 263 bilhões. Para quê? Para fazer o governo arredar os pés dos programas sociais! Jogada dos ultraconservadores.

Os mesmos cacoetes da escravidão, num rastro de bolor da política brasileira.

Vejam em Belô, os três candidatos da ultradireita. Flávio, Caiado e Zema juntos para brindar em taças com leite. Esse simbolismo não passou despercebido. Claro, o leite branco é marca histórica do neonazismo.

Mal comparando, se um nazista se senta entre dez pessoas em volta da mesa, são onze nazistas. Essas aves de mau agouro estão sempre em bando e territoriais. Há o crime recente dessa facção no Rio de Janeiro. Atacam um idoso que portava adereços da campanha da Benedita da Silva. Agressivos, violentos, calculistas frios, e mortais contra indefesos, moradores de rua ou de praças e contra habitantes das regiões de tráfico. Atacam as mulheres – mesmo as deles. Odeiam e desprezam os LGBTQI+. Acham-se melhores e mais patriotas. São contra o migrante nordestino, contra o Nordeste. Voltam-se a uma sociedade de imigração tipicamente europeia, as do Sul. Debocham de surdos, mudos, pessoas com autismo, acham-se mais aptos e saudáveis. Não suportam questionamentos.

Daí vem o preconceito contra o Lula, notadamente um brasileiro nordestino. Lula gosta da branquinha, da cachaça boa, descontrai-se naturalmente com os amigos. Entretanto, quem entra num bar ou feira para tomar leite?! Flávio, Zema e Caiado, com certeza.

Caiado garantiu o seu leitinho em Belô. De família rica de latifundiários, desde sua cabeleira escura o grandão se rivalizava com o Lula  e perdia. A queda de Flávio guindaria esse líder caudilhesco a segundo na disputa contra Lula. Entretanto, Caiado está encalhado na sua paróquia.

Zema, atacou Flávio pelo escândalo com Vorcaro, mas mudou... O candidato até trocou o “cafezin” mineiro para brindar com o leite branco de Belô. Sempre em tom de cinza e óculos de aros redondos, o candidato mineiro faz campanha barata. Em viagens de dez dias leva apenas três mudas de roupas. Lava e seca no carro meias e cuecas. Ele chama de “técnica ideal” para roupas íntimas, ali dentro do carro.

Perguntem às lavadeiras. A boa lavagem de algum respingo de leite ou bolor se faz com método próprio, roupas de molho no sabão, não em lavabos de banheiro. A secagem perfeita é à luz do sol de um belo horizonte - não no meio de banners de campanha.

Flávio tenta se desgrudar dessa teia de viúva negra em que se meteu, desde a refrega na Globo News. Antes, nem conhecia o Vorcaro, mas é flagrado numa conversa suspeita com o “amigo e irmão”. Depois, descobrem-se que a amizade inconveniente vinha de antes – agora até a mídia já refaz o caminho do dinheiro emprestado que foi “ao estrangeiro”. Flávio vem caindo nas pesquisas. Os fatos falam por si. Repercutem, inclusive na ultradireita. A candidatura está por um fio engomado.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.