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Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

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De quiromaníaco a racista: O perfil dos bolsonaristas

Todos os dias nos indignamos com imagens do racismo estrutural prevalecente em nosso meio, mas também com a descentralização do racismo dominante que cai na perigosa banalização, como os praticados pelo presidente da república contra quilombolas e indígenas, que se irradia por seus seguidores como se fosse anedota

Um grupo de advogados negros enviou um manifesto para a Ordem dos Advogados do Brasil, pela “erradicação do racismo como prática genocida contra a população negra”, praticado “dentro da própria Ordem”.  

Os advogados denunciam a ausência da população negra nos diversos espaços da OAB, como nos eventos organizados pelas comissões temáticas da instituição e na própria diretoria. 

A matéria foi publicada no Portal Geledés, onde um senhor opinou no espaço para comentários: “Quanta imbecilidade! Quem não tem competência não se estabelece. Só alguns negros são advogados, não por serem aprovados nos vestibulares, mas por serem aprovados nas cotas da negritude”. 

Esse é um recorte do pensamento racista que passou a ser melhor percebido a partir da câmera de um Android, conectado com as plataformas de redes.  

Diariamente tomamos conhecimento de atos que comprometem a sanidade de qualquer organismo social.  Vimos um senhor que, com o rosto de Bolsonaro tatuado na perna, filmava mulheres em espaços públicos no Rio, sem consentimento, e publicava na internet com comentários sexistas e com claras demonstrações de distúrbios cognitivos e de perversão sexual.  

Teve o caso do homem corpulento que tentou humilhar um jovem trabalhador, entregador de aplicativo, dentro de um condomínio de classe média, em Valinhos, São Paulo, usando clichê do tipo: “você tem inveja das famílias que moram aqui”, esfregando o dedo no braço, na mais nojenta das caricaturas que o homem branco inventou como forma de supremacia diz, “tem inveja disso aqui”. 

Vimos também o casal que desacatou o servidor público na Barra da Tijuca, porque esse solicitou que colocassem as máscaras de proteção contra o coronavírus. Tendo ouvido um patético “ele é engenheiro civil, melhor do que você”. Aliás, como são patéticas essas criaturas! Como o desembargador que rasgou uma multa e desqualificou um funcionário da guarda municipal. 

Todos os dias nos indignamos com imagens do racismo estrutural prevalecente em nosso meio, mas também com a descentralização do racismo dominante que cai na perigosa banalização, como os praticados pelo presidente da república contra quilombolas e indígenas, que se irradia por seus seguidores como se fosse anedota. 

O que causa uma certa estranheza, mas de fácil análise sociológica, é que todos os casos de racismo, machismo, violência contra trabalhadores, como no caso das enfermeiras em Brasília, ataques às instituições democráticas, movimentos de cunho fascista e de exclusão étnica e religiosa, são de pessoas que apoiaram Jair Bolsonaro para presidente.  

O jovem educado Matheus, agredido pelo outro Matheus, o racista, no condomínio em Valinhos disse: “Eu posso ter a mesma coisa que o senhor. O senhor conseguiu por quê? Por que o seu pai te deu ou por que você trabalhou?”.  

Nesses casos, a família do agressor tenta fugir, minimizando a culpa dizendo que o mesmo faz uso de remédios. Pode até ser, mas contra a doença do racismo não há, na literatura médica, nenhuma vacina eficaz. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.