De volta à velha nova casa: Balaio vai para o UOL a partir de segunda-feira

"Para não deixar o blog morrer, minha filha Mariana, também já veterana jornalista, me convenceu a escrever no Facebook e, pouco tempo depois, com a ajuda do amigo Paulo Lindoso, ela criou um novo Balaio por conta própria", relata o jornalista Ricardo Kotscho. "Assim cheguei até aqui e fiquei muito feliz agora com o convite do Murilo Garavello, diretor de conteúdo, para passar a publicar o blog no UOL", acrescenta

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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia Caros leitores e leitoras do Balaio,

tem certos endereços que entram e saem de nossas vidas e passam a fazer parte da nossa própria história.

No meu caso, é o prédio 425 da alameda Barão de Limeira, nos Campos Elíseos, onde passei boa parte da minha carreira.

Entrei lá pela primeira vez há exatos 40 anos, quando fui convidado pela Folha, depois de começar no Estadão, onde fiquei dez anos, e ter trabalhado como correspondente do Jornal do Brasil na Europa, além de haver participado da breve aventura do Jornal da República, do bravo Mino Carta, um sonhador como eu.

Parte da equipe do JR foi levada para a Folha pelo Cláudio Abramo, que havia saído do jornal para trabalhar com Mino Carta, e tinha voltado para a Barão de Limeira.

Entre idas e vindas, já estou na minha quarta passagem pelo jornal, onde voltei a escrever reportagens em 2018.

Pois agora, nesta segunda-feira, o Balaio do Kotcho também vai para o mesmo endereço, no sexto andar: é a estreia do meu blog no UOL, o maior portal do país, que faz parte do Grupo Folha.

Entrei neste novo mundo da internet há quase 12 anos, levado pelas mãos de Caio Túlio Costa, que tinha sido meu chefe no jornal e me chamou para fazer um blog no IG, criado pelo Nizan Guanaes.

Lembro-me bem do convite porque estava em Fernando de Noronha comemorando meus 60 anos, e topei na hora. Sempre é tempo de recomeçar a carreira.

De um dia para outro, virei blogueiro profissional, desses que escrevem todo dia, e tomei um susto com a repercussão imediata do que a gente publicava.

No jornal, era raro receber uma carta ou um telefonema comentando nossas matérias.

No IG, minutos após a publicação, entravam dezenas, às vezes centenas, e até milhares de comentários sobre o post do dia.

Havia algumas regras do portal para a participação dos internautas, nem sempre respeitadas e, depois de algum tempo, me pediram para fazer a moderação dos comentários.

Inconformados, alguns leitores mais assíduos resolveram criar no Google um blog paralelo, chamado de “Boteco do Balaio”, em que eles podiam escrever o que quisessem e brigar à vontade, sem moderação.

A cada 11 de setembro, dia de aniversário do blog, o mundo virtual virava real: esse grupo me convidava para participar de encontros em botecos de verdade para discutir cara a cara suas divergências políticas.

Alguns deles, como o Ênio Barroso Filho, o Everaldo Alencar, de Goiás, e a jovem Aliz de Castro, que organizavam as festas, ficaram meus amigos para sempre, mesmo depois que o “boteco” do Google acabou.

Naquela época, ainda não havia o Fla-Flu de hoje, que transformou as mídias digitais no palco de uma guerra permanente com a radicalização da política.

No final de 2017, o blog já estava havia sete anos hospedado no R7, o portal do Grupo Record, quando foi tirado do ar de uma hora para outra, sem maiores explicações nem aviso prévio, após a empresa mudar seu posicionamento político.

Foi como se tivessem me tirado da tomada. Eu estava acostumado a atualizar e moderar o blog todo dia e não tinha mais onde publicar. Fiquei sem chão.

Para não deixar o blog morrer, minha filha Mariana, também já veterana jornalista, me convenceu a escrever no Facebook e, pouco tempo depois, com a ajuda do amigo Paulo Lindoso, ela criou um novo Balaio por conta própria.

Assim cheguei até aqui e fiquei muito feliz agora com o convite do Murilo Garavello, diretor de conteúdo, para passar a publicar o blog no UOL.

Peço aos leitores e leitoras do Balaio para que me ajudem a comunicar a todos os amigos internautas meu novo endereço na aba de blogs e colunas.

Sou muito grato a quem me acompanhou por esses anos todos e espero poder reencontrar vocês na nova velha casa da Barão de Limeira.

Em tempo: preciso agradecer também ao Leonardo Attuch e a todos os companheiros do Brasil 247, toda essa turma boa dos Jornalistas pela Democracia e os internautas, que acolheram meu Balaio nos últimos anos. Valeu, pessoal, boa sorte.

Até lá.

E vida que segue.

Forte abraço,

Ricardo Kotscho

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