Delenda est Lula!

 Não se trata mais de denunciar que eleições sem Lula são uma farsa, mas que a condenação política de Lula, sua prisão e seu amordaçamento constituem um crime inaceitável e Lula deve ser protegido dessa possibilidade por desobediência civil legítima

04/12/2017- Ato de Abertura da Caravana Lula Pelo Brasil em Vitória, Espírito Santo. Foto: Ricardo Stuckert
04/12/2017- Ato de Abertura da Caravana Lula Pelo Brasil em Vitória, Espírito Santo. Foto: Ricardo Stuckert (Foto: Artur Scavone)

Chegamos ao limite. A Constituição de 88 teve mais algumas de suas páginas rasgadas quando os três milicianos de Porto Alegre orquestraram suas sentenças na medida dos desejos​ políticos do capital financeiro, que comemorou a unanimidade da condenação porque fará o sepultamento "legal" da candidatura Lula. Não cabe discutir aqui o absurdo jurídico do processo, tantas vezes denunciado internacionalmente. Na realidade esse ataque à esquerda teve seu início no mensalão, com a tese do domínio do fato, aprofundou-se com o impeachment da presidente Dilma Roussef – que foi uma declaração de guerra – , mostrou fôlego na condenação do ex-presidente e irá se agravar quando Lula for preso e impedido de fazer campanha política mesmo sem ser candidato. 

Estamos sob um Estado de exceção. Fatos como o crime da delegada que comandou a prisão do Reitor Cancellier mostram a exacerbação das autoridades subalternas que começam a se sentir com poderes para cercear direitos porque estão sob o manto de uma justiça-de-opinião. Foi assim durante a ditadura militar quando todos os homens dos DOI-CODIs tinham carta branca para prender, espancar e matar. Os tenentes togados comandam a exceção sob a batuta da grande mídia. As elites nacionais não têm medo do povo porque por estas paragens nunca aconteceu uma bastilha, mas têm medo de uma liderança que levanta milhões e que precisa ser desacreditada para perder sua força mobilizadora. No meio judiciário formou-se então a narrativa do crime e a convicção generalizada da culpa do PT e de Lula por todas as mazelas das instituições nacionais: Lula foi condenado por ter sido presidente de um país com instituições historicamente corrompidas. Delenda est Lula!

Diante desta realidade é forçoso reconhecer que se formou um quadro extremamente perigoso, porque o elemento fundamental que sustenta a tática do Lawfare é a convicção generalizada na população de que a lei está sendo respeitada e executada de forma justa e que, portanto, toda decisão judicial deve ser respeitada porque é legítima. Não é. Quando o pacto nacional de 88 foi rasgado já no Mensalão, e logo em seguida no impeachment de Dilma Roussef, essas decisões judiciais têm que ser questionadas e é necessário que atitudes sejam tomadas de acordo com essa compreensão. As esquerdas, e o PT em particular, precisam denunciar agora não mais as medidas de exceção, mas o próprio Estado de Exceção que está instaurado no país e tirar disso as necessárias consequências para suas ações políticas.

O PT deve perder a ilusão de que Lula estará nas urnas em outubro porque os milicianos de plantão estão comandando em fina sintonia a execução de um plano concreto e articulado de eliminação de Lula da política nacional e enfraquecimento das esquerdas. Eles não permitirão que isso aconteça sob qualquer hipótese e nessa perspectiva despacharão decisões para colocar Lula a ferros e amordaçado. É preciso denunciar desde já a farsa que irá eleger outro preposto do grande capital e não dar sustentação a essa política de Lawfare comandada pela grande mídia a serviço do capital financeiro internacional. Não se trata mais de denunciar que eleições sem Lula são uma farsa, mas que a condenação política de Lula, sua prisão e seu amordaçamento constituem um crime inaceitável e Lula – síntese das maiores conquistas recentes da classe trabalhadora e sua realidade histórica – deve ser protegido dessa possibilidade por desobediência civil legítima.

 

 

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