Demissão de Castello Branco na Petrobrás é a Batalha dos Guararapes de Bolsonaro

“Trocar um entreguista com um general é fácil. Mais difícil será mudar a política de preços adotada após o golpe contra Dilma, que está destruindo a economia brasileira”, diz o jornalista Leonardo Attuch, editor do 247

Roberto Castello Branco e Joaquim Silva e Luna
Roberto Castello Branco e Joaquim Silva e Luna (Foto: Divulgação)
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Ocorrida nos idos de 1648 e 1649, a batalha dos Guararapes funda o Exército brasileiro e marca a derrota dos invasores holandeses, que disputavam as colônias portuguesas. Quase quatro séculos depois, mais precisamente na próxima segunda-feira, o governo do capitão Jair Bolsonaro enfrentará batalha similar. Ainda é cedo para saber se Bolsonaro decidiu se rebelar contra as forças de mercado, nacionais e internacionais, que o colocaram no poder e tentará finalmente começar a governar para os brasileiros. Afinal, trocar um entreguista como Paulo Castello Branco no comando da Petrobrás por um general, no caso Joaquim Silva e Luna, é bem mais simples do que enfrentar o poder do capital nas bolsas de valores, nos mercados de câmbio e nos meios de comunicação corporativos.

A batalha ocorrerá na segunda-feira porque neste dia os chamados “mercados” serão reabertos sob forte pressão depois da “intervenção” de Bolsonaro na Petrobrás, uma empresa controlada pelo estado brasileiro, mas que, desde o golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff passou a ser gerida de acordo com os interesses de seus acionistas privados - a maioria deles, internacionais. Aliás, foi este o principal objetivo da Lava Jato e do golpe de 2016, dois fenômenos entrelaçados: desviar o Brasil de seu destino histórico e fazer com que seus principais recursos naturais, como o petróleo, passassem a servir aos interesses do grande capital internacional,e não mais ao povo brasileiro. Todo o resto é secundário. Lava Jato e impeachment de Dilma são os dois pilares do roubo do petróleo brasileiro pelas grandes petroleiras internacionais.

Pelas redes sociais, já se ouve a gritaria das vozes liberais. Bolsonaro estaria seguindo o caminho de Dilma e intervindo com a mão pesada do estado na Petrobrás. Nada mais distante da realidade. O que aconteceu depois do golpe foi o oposto: a intervenção da mão pesada do mercado na Petrobrás, que passou a dilapidar a empresa, arrematando ativos a preço de banana, e a esfolar os brasileiros, com os preços abusivos do diesel, do gás de cozinha e da gasolina.

Talvez Bolsonaro tenha percebido que sua reeleição será completamente inviabilizada caso continue a se comportar como um escravo das forças que promoveram o golpe de 2016. Por mais que tenha conseguido manipular a opinião pública, em 2018, com baboseiras como o kit gay e a mamadeira erótica, nada disso resiste à pauperização dos brasileiros, à entrega do patrimônio nacional e à destruição de milhões de empregos. E tudo isso é resultado do choque neoliberal implantado pelo governo Temer-FHC após a derrubada de Dilma. Temer-FHC porque o primeiro foi o traidor e o segundo foi o responsável pela agenda econômica. Agenda econômica que teve como pilar central a mudança na política de preços da Petrobrás, por Pedro Parente, para assim criar condições para garantir a entrega do pré-sal e o desmonte da estatal - o objetivo central dos golpistas. E não adianta dizer que os preços dos combustíveis devem ser guiados por forças de mercado. Em todos os países que são grandes produtores de petróleo, eles são preços administrados porque formam outros preços da economia.

Bolsonaro deu o primeiro passo. Demitiu o entreguista Paulo Castello Branco e o substituiu por um general que tem fama de ser nacionalista. A prova dos nove, no entanto, virá na segunda-feira, com a nova Batalha dos Guararapes, quando saberemos se os militares brasileiros irão bater continência aos invasores ou expulsá-los de vez da Petrobrás. 

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