Demissão de Roberto Castelo Branco fará bem à Petrobras e aos brasileiros

"A demissão de Roberto Castelo Branco é necessária. Fará bem ao Brasil, especialmente a Petrobras que terá novamente a oportunidade de voltar a induzir o desenvolvimento sem prejuízo do natural lucro dos acionistas", escreve Ricardo Bruno

(Foto: ABr)
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O presidente Jair Bolsonaro é merecedor das mais contundentes críticas por conta de sua flagrante incapacidade de governar e sua baixa estima aos valores democráticos. Contudo, ele acerta quando se mostra disposto a demitir o presidente da Petrobras, Roberto Castelo Branco, um tecnocrata fiel ao liberalismo entreguista, que transformou a maior estatal brasileira em território livre de grupos rentistas. 

Sob Castelo Branco, a Petrobras trocou os interesses nacionais pelos do capital internacional; ignorou a necessidade de agir como indutora do desenvolvimento; apartou-se da realidade socioeconômica brasileira, para adotar um modelo de gestão voltado exclusivamente aos objetivos dos acionistas, em grande parte grupos financeiros internacionais. 

A lógica obtusa e nefasta da administração de Castelo Branco está levando a Petrobras a contratar em Singapura as plataformas do Campo de Búzios, no pré-sal, que vão gerar 80 mil empregos fora do país. Isto acontece com o desemprego batendo à casa de 14 milhões de brasileiros. A indústria naval, em boa parte sediada no Rio de Janeiro, está depauperada. Hoje, acolhe pouco mais de 7 mil trabalhadores no estado em contraste com 40 mil de anos anteriores. O desemprego, a miséria, a fome não sensibilizam o protoliberal que se aboletou no comando da empresa por indicação do amigo Paulo Guedes. Mesmo diante do caos social reinante, a Petrobras segue observando apenas os lucros de seus investidores, como se operasse numa bolha, num país paralelo onde as razões predominantes são exclusivamente as de mercado. 

O aumento dos preços dos combustíveis em 34% em pouco mais de 40 dias é outro acinte. Do alto de sua arrogância, Castelo Branco afronta os interesses nacionais autorizando reajustes sincronizados com a variação no mercado internacional. Ora, a Petrobras produz óleo no Brasil, seus custos são determinados pela realidade econômica nacional - que é ignorada, exclusivamente, para aumentar os lucros dos acionistas, em desrespeito flagrante aos brasileiros, a quem a empresa deveria servir. 

A venda da refinaria Landulpho Alves na Bahia é outro ato criminoso e lesivo ao país. Foi entregue a preço de banana ao Mubadala Capital, de Adu Dhabi. Avaliada em 4 bilhões de dólares, foi entregue por menos da metade. Sem falar na decisão equivocada de vender todas as refinarias nacionais, perdendo assim o controle da cadeia produtiva, capacidade de gestão da política de preços e, sobretudo, soberania. 

A rigor, Roberto Castelo Branco não é único responsável pelo desastre da gestão atual da Petrobras. Ele apenas segue ordens de seu padrinho e mentor – Paulo Guedes. Mesmo desautorizado por Jair Bolsonaro, o ministro segue no cargo, exclusivamente para cumprir os objetivos de grupos rentistas com os quais mantém ligações estreitas. A Petrobras é um bom exemplo. 

A demissão de Roberto Castelo Branco é necessária. Fará bem ao Brasil, especialmente a Petrobras que terá novamente a oportunidade de voltar a induzir o desenvolvimento sem prejuízo do natural lucro dos acionistas. A maior estatal brasileira não pode abdicar deste papel que naturalmente deve exercer por conta de seu poderio e de sua grandeza. O lucro não é incompatível com os interesses legítimos do País – hoje totalmente negligenciados pela estatal. A Petrobras não pode continuar sequestrada pelo liberalismo daninho de Guedes, Castelo Branco et caterva.

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