Dentro das quatro linhas da prisão
Entre contradições, golpismo e expectativas externas, o discurso das “quatro linhas” desmorona diante da responsabilização judicial e da defesa da democracia
Se o presidiário Jair Bolsonaro cumprisse aquilo que pregava, como “agir dentro das quatro linhas da Constituição”, não estaria cumprindo pena em ano eleitoral. Não teria problemas com o barulho que faz um ar-condicionado, não teria tentado violar uma tornozeleira eletrônica e não teria caído da cama e batido a cabeça em um móvel.
Há três anos, o grupo liderado pelo atual presidiário tentou a última cartada para consumar um golpe de Estado. Houve outras tentativas, todas frustradas. Havia um plano para prender e assassinar autoridades e, assim, o derrotado nas urnas iniciaria uma longa dinastia fascista.
De onde estava, nos EUA, o “herói” retornaria logo após o triunfo, sendo coroado pela massa. Seria assim se a tentativa de 8 de janeiro terminasse em êxito.
Três anos depois, seu defensor, Donald Trump, ocupa novamente a cadeira presidencial dos EUA, rasgando todos os tipos de acordos internacionais para entrar na Venezuela e sequestrar o presidente Nicolás Maduro, o que trouxe esperança para o núcleo do ex-presidente.
Não acreditem quando ouvirem que Trump abandonou Bolsonaro; ele apenas não está sendo útil no momento. Porém, o mandatário americano tentará interferir nas eleições deste ano contra a reeleição de Lula e, para isso, intermediará a libertação de Bolsonaro, seu fiel capacho de confiança.
E justo hoje, exatamente três anos após a frustrada invasão aos Três Poderes, o presidente Lula vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria – uma manobra do Congresso que, na prática, significava anistia disfarçada e redução drástica de penas para os condenados pelo golpe, incluindo o presidiário Jair Bolsonaro.
Essa decisão, tomada durante a cerimônia em defesa da democracia no Palácio do Planalto, reforça que não há impunidade para quem atentou contra o Estado Democrático de Direito. Sem anistia aos golpistas! A vitória da democracia se consolida nas ruas e nas instituições, mas a vigilância precisa ser permanente.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

