Depois do choque de realidade, chegou a hora da união

Os brasileiros começam a se dar conta de que foram enganados. Com os fascistas e seus métodos cada vez mais desacreditados, cria-se uma grande oportunidade para a retomada do diálogo nacional

Manifestantes com faixa contra o golpe durante Protesto Fora Temer realizado no Centro Cívico em Curitiba, PR.
Manifestantes com faixa contra o golpe durante Protesto Fora Temer realizado no Centro Cívico em Curitiba, PR. (Foto: Beth Sahão)

Uma sociedade fraturada – esta é a metáfora que melhor define o Brasil atual. A partir das grandes manifestações de 2013, observa-se uma tendência de radicalização sem precedentes na política nacional. O processo iniciou-se de maneira espontânea, a partir de reivindicações legítimas da população, que cobrava dos governantes melhores serviços públicos especialmente nas áreas de transporte, saúde e educação.

No entanto, o acirramento "ideológico", abriu caminho para o surgimento de grupos como MBL e Vem Pra Rua, que, travestidos de movimentos sociais, nada mais são do que aproveitadores a serviço das legendas conservadoras.

Desprovidos de votos suficientes, os partidos de direita passaram a apostar na radicalização, instigando e apoiando esses grupelhos que promoveram uma verdadeira guerra ao campo progressista, primeiramente nas redes sociais com a ampla difusão de notícias falsas, conforme revelou recentemente jornalista Gilberto Dimenstein.

Com apoio da grande mídia, que dedicava aos aproveitadores de plantão um tratamento vip jamais dispensado a movimentos sociais legítimos, organizações como MBL e Vem Pra Rua avançaram para além das redes sociais, tornando-se, a partir de 2015, os declarados líderes de manifestações em favor da derrubada do governo legitimamente eleito de Dilma Rousseff.

Não cabe aqui debater os eventuais erros daquele governo. De qualquer modo, temos de reconhecer que a radicalização promovida pelos grupelhos de direita contribuiu para que o caos generalizado se instalasse na política brasileira.

Isto porque a estratégia de comunicação desses grupos baseia-se na desconstrução do adversário político, que é tratado como um inimigo desprovido de humanidade e indigno de qualquer réstia de empatia. A tática nada tem de inovadora. Foi utilizada à exaustão por Hitler e os nazistas.

Se na Alemanha dos anos 1930 os judeus, ciganos, eslavos e comunistas foram escolhidos para encarnar todos os males que assolavam aquela nação, aqui o papel coube ao PT, que, sob o fogo cerrado da Operação Lava Jato e seus vazamentos seletivos e tendenciosos, tornou-se alvo de uma campanha difamatória sem precedentes, sendo equiparado a algo pior que uma organização criminosa.

Não se busca aqui, de forma alguma, ignorar as graves falhas cometidas pelo partido no campo da ética. O que se critica, sim, é a campanha de ódio baseada em mentiras, que tenta transformar o PT na causa de toda a corrupção do País, quando sabemos que esse problema é antigo e tem origens no próprio modo como se estruturou o capitalismo brasileiro. Ademais, é inaceitável que facções de extrema-direita tentem jogar na lama a história de luta de milhões de filiados, cujas trajetórias são marcadas pela lisura, a ética e o respeito às leis.

O fascismo desses aproveitadores fica evidente no próprio modo como eles tentam se apropriar de símbolos como o hino nacional, as cores da nossa bandeira e até o uniforme da seleção brasileira de futebol. Não foram raros os casos de pessoas que, mesmo não possuindo qualquer ligação ou afinidade com partidos de esquerda, acabaram sendo agredidas por manifestantes de direita pelo simples fato de estarem trajando roupas ou acessórios vermelhos.

Mas a mentira tem um ponto fraco: mesmo quando repetida mil vezes, ela só surte efeito se apresentar algum lastro na realidade. Os fascistas prometeram ao povo brasileiro que a derrubada de Dilma seria a solução para todos os males da nação, inclusive a corrupção e a crise econômica.

Desde que os golpistas assumiram o poder, observamos um escândalo após outro envolvendo membros do alto escalão do governo Temer. Contudo, Vem Pra Rua e MBL nada dizem contra essa situação. Dilma já está há quase um ano afastada da presidência, mas a economia do País tem se degradado cada vez mais.
Para piorar, o governo golpista de Temer tem levado a cabo uma série de medidas que prejudicam diretamente os pobres e a classe média, tais como o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, a terceirização sem limites e a famigerada reforma da previdência.

Todos esses acontecimentos terríveis equivalem a um verdadeiro choque de realidade que serviu para libertar um grande contingente de pessoas da hipnose imposta pela grande mídia e as organizações fascistas. Agora, completamente desprovidos de credibilidade, os grupelhos aproveitadores tentam se manter em evidência organizando manifestações fajutas pautadas por um moralismo hipócrita e vazio.

Enquanto o País afunda e os pobres veem-se diante da terrível possibilidade de perder os direitos trabalhistas e ficar sem aposentadoria, o MBL e seus assemelhados vão para a rua defender – pasmem! - o fim do Estatuto do Desarmamento e as reformas trabalhista e da previdência! A baixíssima adesão às manifestações do dia 26 de março, mesmo com o apoio majoritário da grande mídia, é um sinal inequívoco de que uma grande virada pode estar ocorrendo na política nacional.

Os brasileiros começam a se dar conta de que foram enganados. Com os fascistas e seus métodos cada vez mais desacreditados, cria-se uma grande oportunidade para a retomada do diálogo nacional.

Precisamos aproveitar este momento crucial e trabalhar no sentido de construir uma união de todo o povo brasileiro contra os projetos cruéis que estão sendo levados adiante pelos golpistas. Afinal, boa parte daqueles que gritaram "Fora, Dilma!" já estão sendo extremamente prejudicados pelas ações do governo que a sucedeu.

A vergonhosa aprovação do projeto de lei que libera a terceirização sem limites é apenas uma mostra dos estragos que os golpistas são capazes de fazer. Com uma canetada, enviaram a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) para o ralo. O povo que foi às ruas em 2013 reivindicava melhores condições de vida. Algo totalmente diverso do desmonte de direitos que está sendo promovido sob o olhar sequioso dos grupos aproveitadores.

Essas pessoas precisam urgentemente ser incorporadas ao processo político, antes que sejam lançadas ao estado de apatia provocado pela desilusão. Somente com unidade e luta de todo o povo brasileiro é que vamos conseguir derrotar o governo golpista, a terceirização, a reforma da previdência e o desmonte completo do Estado brasileiro.

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