Depois do paraíso fiscal, Guedes mostra o inferno neoliberal

"Enquanto protege sua fortuna num paraíso fiscal, Paulo Guedes entrega a economia de brasileiros e brasileiras ao inferno neoliberal", escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Paulo Guedes
Paulo Guedes (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
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Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela Democracia 

Deixando de lado números do desemprego e da renda, que jamais poderiam melhorar com a política de Estado Mínimo e privatização acelerada, o arrogante neoliberalismo de Paulo Guedes está colhendo exatamente o que plantou. 

"O quadro geral é de baixo dinamismo," sinaliza o editorial econômico do Estado de S. Paulo (18/10/2021). "Em agosto os negócios ficaram 0,15% abaixo do nível de julho," desempenho  que assinala "a terceira variação negativa nos oito meses de janeiro a agosto". 

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Após uma recessão de 4,1% registrada em 2020, os indicadores mostram que a prometida retomada de 2021 mal irá compensar o desastre anterior. A produção industrial, que possui um conhecido poder de irradiação sobre o conjunto da economia e a geração de empregos de qualidade, sofreu a terceira queda mensal consecutiva, e o resultado acabou 2,9% abaixo do registrado no ano anterior. 

No comércio, o desemprego e o arrocho salarial cumpriram sua parte. Se em julho de 2021 as vendas exibiram uma queda de 3,1% em relação a julho de 2020, em agosto a comparação é ainda mais trágica queda de 4,1% entre um ano e outro. 

Com tal desempenho, é natural que os alfaiates do Palácio do Planalto tenham começado a examinar uma fantasia de bode expiatório sob medida para o ex-posto Ipiranga  vestir no ano eleitoral de 2022. 

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O truque é conhecido.Trocando Paulo Guedes por um rosto novo, pretende-se esconder as responsabilidades de Bolsonaro pela tragédia oferecida ao país desde sua posse.   

É certo que o país já viveu operações desse tipo. Em fevereiro de 1986, José Sarney reinventou seu governo com o Plano Cruzado. Onze meses depois, seus aliados ganharam as eleições para governador em 23 dos 23 Estados brasileiros. Suas legendas de apoio, PMDB e PFL, fizeram 77% das cadeiras da Camara de Deputados. Em 1994, Fernando Henrique criou a candidatura presidencial através do Real. Ganhou a presidência no primeiro turno, com uma diferença de 54% a 27% sobre Lula.

Com apoio popular à míngua, a opção de experimentar uma fantasia nova na véspera do baile eleitoral de 2022 surge como  uma das raras opções para Bolsonaro num país de desemprego alto, crescimento baixo e credibilidade no chão. Um quadro tão deprimente que  agora o presidente tenta comover o eleitorado com a conversa ridícula de que chora escondido no banheiro.

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Há muitos problemas aí. As pesquisas mostram que a  rejeição a Bolsonaro envolve uma numerosa fatia de eleitores que lhe deram o voto em 2018, quando o adversário era Haddad. Quatro anos depois,  decepcionados,  voltam as atenções para Lula, cujo governo permanece vivo na memória do país. 

Outro problema diz respeito ao empresariado. Nem a  reinvenção de José Sarney, ligado a biografia de quadro da ditadura, como a criação presidencial de Fernando Henrique, até então um sociólogo que perdera a prefeitura de São Paulo para Janio, caíram do céu. Ambos contaram com a mão amiga de uma burguesia interessada em seus serviços, de olho num fantasma da época, o célebre Brizula (contração de Brizola e Lula) , de quem pretendiam livrar-se de qualquer maneira. 

Essa é uma dificuldade essencial para Bolsonaro-22.  No país de hoje, a burguesia começou a falar em terceira via e mostra que está gostando da ideia.  Enquanto for assim, não haverá interesse em pôr a mão no bolso para ajudar o capitão, muito menos para criar lendas midiáticas que podem ser úteis para enganar a massa de  incautos que sempre aparecem nas disputas eleitorais. 

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