Derrota da Lava Jato no STF aconteceu no dia em que pesquisa “fake” Folha-Globo foi desmascarada

O jornalista Mauro Lopes conta como foi desmascarada a pesquisa “fake” Folha-Globo que tentou salvar Moro no STF

Os Marinho, os Frias e Moro
Os Marinho, os Frias e Moro (Foto: Divulgação)
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Por Mauro Lopes

Não é coincidência que a decisão do STF enterrando sem honras a Lava Jato tenha acontecido no dia em que foi desmascarada uma “pesquisa” farsesca do grupo Folha em associação com as Organizações Globo. As empresas da família Marinho financiam quase todos os levantamentos do Datafolha e a divulgação das pesquisas é sempre uma operação combinada entre as empresas dos Frias e dos filhos de Roberto Marinho. 

A pesquisa tornou-se manchete da Folha na segunda-feira (22) e em suas diferentes expressões midiáticas e teve grande destaque nos veículos das Organizações Globo. Na Folha, a manchete foi: “Maioria acha Lula culpado”. No Globo, “Datafolha: maioria considera Lula culpado”. E assim o foi no G1, UOL, Jornal Nacional, CBN, com a onda espalhando-se em toda mídia conservadora, da CNN à Jovem Pan aos veículos regionais. 

O objetivo, claro, era influir na opinião do Supremo e impedir a decisão que acabou prevalecendo, da suspeição de Moro. A estratégia de jogar sobre os ministros o “peso da opinião pública” havia se mostrado bem sucedida desde 2015.

A pesquisa era, entretanto, uma farsa, conforme demonstrou o sociólogo Marcos Coimbra, fundador do instituto Vox Populi, um dos mais respeitados do país. Ele desnudou no Giro das 11 desta quarta-feira, a poucas horas da reunião da Segunda Turma, a pergunta capciosa e tendenciosa que deu base às manchetes de toda a fauna midiática conservadora. A pergunta feita a entrevistadas e entrevistados (por telefone) foi: 

"Em 2017 o então juiz Sergio Moro condenou Lula a prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. Na sua opinião, a condenação de Lula NA ÉPOCA foi justa ou injusta?" [coloquei a expressão “na época” em maiúsculas, para indicar a “pegadinha” da pergunta].

Como observou Coimbra, “eles não perguntam o que o entrevistado pensa hoje (depois de conhecer as picaretagens da turma da Lava Jato) , mas o que achou há quatro anos (!!), quando uma  maioria da opinião pública achava a operação uma coisa boa”.

Na condição de especialista em pesquisas, Marcos Coimbra pontuou: “Sinceramente, uma pergunta sem sentido (vê se faz sentido perguntar uma opinião de quatro anos atrás, sem perguntar a de hoje, e nem sei se pessoas com baixo interesse por política são capazes de dizer o que pensavam há quatro anos). Ela foi encomendada para obter um resultado desfavorável a Lula”.

Como se diz, “deu ruim”. A estratégia desta vez não teve o resultado com o qual acostumaram-se os bilionários proprietários das empresas líderes da mídia conservadora de massas do país. 

É tão estrondosa a crise brasileira criada pelos Marinho e Frias, que foram centrais no golpe contra Dilma, na prisão de Lula e na eleição de Bolsonaro que o golpe da pesquisa desta vez falhou.

A denúncia de Marcos Coimbra amplificada pelo 247 ajudou. Veja o que ele disse, na TV 247:

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