Derrotar o atraso e o golpismo. E na hora certa
No Brasil, vai ser preciso identificar e denunciar cada ação intimidatória como parte de uma manobra golpista, embrulhada em um projeto de inspiração fascista
A última pesquisa do Datafolha é boa para o Lula. E só isso. A pesquisa não é boa para o PT, aliados, federados ou apoiadores etc. Não se acharem que é hora de sentar em cima de uma vantagem na luta contra o atraso e a miséria.
É preciso ampliar a vantagem. Nada de transportar esse bom desempenho para um eventual fim de jogo antecipado, em primeiro turno, porque a decisão está bem longe. Vai ser preciso derrotar os que se inspiram no fascismo para governar ou manter acesso ao poder.
Isso é bem mais que derrotar o inominável nas urnas. Quanto a elas, não cabe falar em favoritismo, nunca coube. Claro que se for no primeiro turno é bem melhor, até para o arranjo das forças políticas para o novo período.
Mas não vamos esquecer que a conjuntura está bem pesada. No Brasil já se mata na câmara de gás diante de uma plateia atônita e incrédula. Foi ação para ser filmada sim. É um recado sim. É intimidação sim.
É claro que isso já é a campanha. Pode-se dizer que não há indícios de que houve uma ação orquestrada. Mas, no jogo simbólico da violência do Estado contra o cidadão desarmado, estão presentes elementos que gritam a presença do controle abusivo da autoridade sobre a população, sobretudo, a mais pobre e que mais sofre os efeitos da total ausência do Estado em tempos de crise.
Ali não tem nada de segurança pública. É uma política de insegurança de Estado.
No Brasil, o presidente do STF tem participação em evento suspensa no Sul do país por causa da (in)segurança. É inacreditável, mas empresários apoiadores do inominável fizeram chegar à entidade realizadora do encontro que a autoridade não seria bem-vinda na região. É claro que isso é intimidação.
No Brasil, para justificar a morte de mais de duas dezenas de suspeitos de envolvimento com o crime, o representante da PM carioca diz que a culpa pelo aumento da criminalidade organizada no Rio é do STF, que editara medida de contenção dos abusos nas operações militares na pandemia. É claro que a desinformação que expõe e tenta incriminar a maior instância da Justiça do país é uma ação intimidatória.
No Brasil, comentaristas políticos de uma rádio que faz o discurso da extrema-direita dizem no microfone que um dos concorrentes é um ex-presidiário que não pode nem sair às ruas. É claro que o candidato vai precisar estar nas ruas. E o que pretendem sugerir quando dizem, repetidas vezes por dia, que ele não pode sair em público? É a força da palavra que transforma o Lula livre em Lula condenado. E fica tudo por isso mesmo.
É claro que isso também reforça o clima de intimidação e a insegurança para as eleições.
No Brasil, vai ser preciso identificar e denunciar cada ação intimidatória como parte de uma manobra golpista, embrulhada em um projeto de inspiração fascista e antidemocrático. É este Brasil do atraso que precisa ser derrotado. E na hora certa.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

