Desafios e tarefas da secretaria de organização

Nesse momento, quando nos preparamos para a Plenária Nacional, é necessário resgatar a missão que nos foi delegada pelo 13º CONCUT. Precisamos revisitar as deliberações aprovadas pelos delegados e delegadas na instância maior da nossa Central numa conjuntura já muito difícil, mas hoje ainda mais grave diante a pandemia

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(Foto: CUT)


Por Graça Costa e Jacy Afonso

Nesse momento, quando nos preparamos para a Plenária Nacional, é necessário resgatar a missão que nos foi delegada pelo 13º CONCUT. Precisamos revisitar as deliberações aprovadas pelos delegados e delegadas na instância maior da nossa Central numa conjuntura já muito difícil, mas hoje ainda mais grave diante a pandemia.

Fruto dos importantes debates travados, consensuamos a urgência de “Avançar na sindicalização, organizando e filiando todos as trabalhadoras e os trabalhadores independentemente da forma de contratação a que estejam submetidos no local de trabalho ou fora dele…”  fortalecendo os sindicatos, os ramos e a estrutura horizontal.

A classe trabalhadora enfrenta uma situação de caos e está entregue à própria sorte! As condições indignas a que a população está exposta são insuportáveis. Quando somamos os quase 15 milhões desempregados aos mais de 33 milhões subutilizados, temos quase 50 milhões de homens e mulheres sem trabalhar ou trabalhando menos do que gostariam e necessitam para sobreviver. Ou seja, 3 em cada 10 trabalhadores vivem em situação de completa vulnerabilidade. 

O povo está abandonado pelo estado, exposto à falta de trabalho e ao despejo. São milhares de famílias empurradas para viver nas ruas das grandes cidades. De um lado, a falta de um teto e a volta da fome, do outro, o vírus que matou tantas pessoas obrigadas a se expor todos os dias para morar e comer graças à irresponsabilidade do governo Bolsonaro, que assumiu uma política de extermínio durante a pandemia.

O desemprego, o trabalho precário, o trabalho infantil e o trabalho escravo só crescem. As crianças e os jovens, as mulheres, os negros e as negras são as maiores vítimas da violência e da pobreza, vítimas de um governo que promove a morte.

A precarização avança rapidamente criando escravos modernos. Há uma massa de brasileiros e brasileiras sem nenhum direito, uma juventude sem perspectiva de ter um emprego formal com direitos e benefícios, salário mínimo, férias e décimo terceiro. O número de trabalhadores de aplicativo, como os entregadores, disparou durante a pandemia, mas o que vemos são jovens trabalhando nas ruas durante 12, 14, 16 horas por dia, sem comer direito, de um lugar para descanso, para tirar menos do que o salário mínimo no final do mês.

Os sindicatos, os partidos, os movimentos populares e as diversas formas de auto organização encontradas pela população nas periferias de todo o país se juntaram em ações de solidariedade. Mas a classe trabalhadora não suporte mais, não aguenta esperar por um auxílio emergencial miserável. Ela quer trabalho decente, salário e dignidade. 

Precisamos mudar os rumos do Brasil. A CUT tem condições de liderar esse processo, organizar a classe para disputar um projeto de inclusão com trabalho decente e proteção social. Somente os trabalhadores e trabalhadoras organizados terão força popular para virar o jogo. Esse é nosso maior desafio! 

Os dirigentes têm que mobilizar os sindicatos nos municípios e as estaduais. Eles devem estar abertos para todos os trabalhadores, independentemente de categoria, de ter ou não um emprego formal, estar na informalidade ou desempregado. Precisamos combater o desalento, criar espaços de discussão para que os trabalhadores e trabalhadoras falem de suas necessidades, do mundo que querem para si e para suas famílias, e se organizem para lutar por ele. Dessa forma, acumularemos força para fazer o enfrentamento.

Criada junto com a primeira Executiva Nacional, no Congresso de 1983, a secretaria de organização compõe a direção nacional e as direções estaduais com a missão de coordenar a elaboração da política geral de organização sindical dentro dos princípios e propostas da Central e encaminhá-las às suas instâncias. Com grande responsabilidade na estrutura da CUT, ela tem um papel importante na construção de propostas e planos de ação sindical, promovendo e coordenando atividades que envolvam o conjunto da direção.

Às vésperas da Plenária Estatutária, um momento tão importante para nossa Central, a secretaria de organização dos estados e dos ramos dão uma contribuição fundamental para a definição das estratégias de organização e representação do conjunto da classe trabalhadora, tendo em vista responder aos desafios colocados para o movimento sindical. 

Graça Costa é secretária nacional de organização e política sindical da CUT.

Jacy Afonso é presidente do PT/DF e ex-secretário nacional de organização e política sindical da CUT de 2009 a 2015.

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