Desigualdade - o mal de todos os séculos

Claudio Furtado alerta: "Ou buscamos uma sociedade mais justa, onde todos possam se desenvolver como uma nação ou colapsaremos conjuntamente"

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(Foto: ABr)


O grande mal da história da humanidade vem se mostrando ser a desigualdade. A desigualdade destruiu e continua a destruir milhões vidas ao redor do planeta. É uma pandemia que não acaba e que perdura a vários séculos. Todos atualmente falam sobre ela, alguns importantes economistas, como por exemplo o francês Thomas Piketty, já se deram conta da gravidade deste problema, mas em verdade nenhum combate eficaz está sendo feito para erradica-la. Este é o mal que permeia a todos os séculos, já passou da hora de combate-lo de forma definitiva.

Dados estatísticos mostram que os países menos desiguais apresentam baixos índices com relação aos problemas sociais. De nada adianta ser a 12ª economia do mundo e também ser o 9º lugar em desigualdade, como é o caso do Brasil. O que adianta o número de bilionários no país crescer se o número de desempregados cresce assustadoramente e a inflação galopante empobrece o povo continuamente? O que adianta se o agronegócio está batendo recorde de exportação de grãos se a fome está aí presente batendo na porta de milhões de famílias? O punitivismo é idolatrado como solução nas mídias hegemônicas. Somos o país com a 3ª maior população carcerária do planeta. E isso diminuiu a criminalidade? Claro que não. O punitivismo de nada adianta para resolver os problemas sociais. Ao contrário disto, a redução da desigualdade mostra que esta é a solução destes problemas. Em países menos desiguais temos menores índices de criminalidade. E inclusive menores índices de corrupção.

Crimes como por exemplo, roubos de tênis, de celular, de carro, enganos no GPS que levam o motorista para um local perigoso e que muitas vezes o faz perder a vida devido a este engano, sequestros relâmpagos, etc, são situações vistas frequentemente nos jornais. Em todos estes casos são vitimados a classe pobre e a classe média da sociedade. E tudo isso é provocado por esta gigantesca desigualdade que vivenciamos. A pior condenação que pode ser feita a uma pessoa é condená-la a pobreza. A pessoa vai tentar a todo custo sobreviver, mesmo que para isso precise infelizmente entrar para o mundo do crime. Sem interrompermos este ciclo vicioso nada se resolverá. E podem ter certeza que todas estas mazelas não afetam de forma alguma a classe rica. Eles continuam vivendo confortavelmente nas suas mansões, com suas escoltas armadas para proteção, comendo e bebendo do bom e do melhor, acumulando cada vez mais riqueza. Eles não são tocados de forma alguma por essas desgraças que vemos acontecer diariamente nos jornais.

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A insistência em crer que existe algum tipo de meritocracia que conduz alguns ao sucesso e outros ao fracasso é uma outra forma de tapar o Sol com a peneira para não ver o que realmente ocorre na sociedade. Alguns poucos, melhor dizendo pouquíssimos, tem todas as oportunidades, todas as vantagens e a grande maioria luta diariamente por migalhas. Que meritocracia é essa? Meritocracia só existe mesmo em filmes de Hollywood para persuadir os bobos, pensando que um dia se tornaram ricos, terão sucesso. Coisas idiotas como essa que a classe média insiste em acreditar. Sonham em se tornarem um dia os “senhores de engenho”, mas no máximo conseguiram frequentar a cozinha da “casa grande”.

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Temos que ir além do keynesianismo para superarmos de vez toda esta desigualdade que impede que a humanidade evolua como um todo. Keynesianismo só serve para salvar o capitalismo de suas constantes crises. Injeta bilhões e até trilhões de dólares na economia para salvar bancos e ultra mega empresas e no máximo prove assistencialismo para impedir que a população se rebele contra o arrocho salarial, contra as perdas dos direitos trabalhistas e previdenciários, contra o desemprego e contra a fome. O keynesianismo é um garçom que serve banquete para os ricos e biscoito de água e sal com suco barato e de má qualidade para os pobres. Atualmente a discussão de um salário mínimo universal comprova a total falta de capacidade do neoliberalismo em tornar a sociedade mais justa e igualitária. É necessário que seja desenvolvido um novo sistema econômico que leve em consideração o compartilhamento da riqueza por toda a sociedade e não somente para a extrema minoria, a qual é uma classe financeira opressora que explora, escraviza e age como verdadeiros vampiros sociais, sugando os últimos resquícios de vida do povo.

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 Já pararam para pensar que não é à toa que está tão em moda - e a vários anos - filmes e séries mostrando o que se costuma chamar de “apocalipse zumbi”? Parece besteira, mas analisando profundamente vemos que não é, pois a massificação do caos social através do ludismo hollywoodiano é uma boa forma de acostumar nossos olhos ao caos que vemos crescer exponencialmente ao nosso redor dia a dia. Analisando as cracolândias a céu aberto, vemos também que isso parece ser intencional. Um problema tão grave como o é o vício do craque, o qual deveria ser tratado como um problema de saúde, sendo ignorado e sendo exposto a olhos vistos em nosso caminho para o trabalho e nos noticiários, parece sim algo proposital, uma forma de nos acostumar com a degradação humana. Agora vemos pessoas atrás de ossos para se alimentar e sim temos comoção social com relação a isto, mas não uma comoção social que seja o suficiente forte para revertermos esta situação. Toda esta estratégia midiática nos fez acostumar com o caos social. Aos poucos o sistema capitalista nos torna mais insensíveis, mais desumanos. O jogo que está sendo jogado é pesado, sujo e cruel. É desumano! Estamos perdendo nossa humanidade aos poucos. Nos acostumamos com toda esta desigualdade aos poucos. Como se fossemos um sapo imerso na água que vai esquentando lentamente. Nem notamos que estamos sendo cozidos. Nem notamos que estamos a cada dia ficando mais e mais acostumados a todo o caos gerado pela desigualdade social.

Vivemos um momento de ganância extremada que irá levar com certeza a humanidade para um desastre profundo. Exterminação dos recursos naturais, crescimento do desemprego, aumento da fome e tudo o mais que já citamos aqui e que vemos dia a dia nos noticiários, nos mostra que o ser humano está indo rumo ao precipício. Uma mudança de rota é urgente e necessária para evitar o pior. E como temos visto a desigualdade é o termômetro que mostra que algo de muito errado está ocorrendo em nossa sociedade. Já entramos na fila da extinção. Ou buscamos uma sociedade mais justa, onde todos possam se desenvolver como uma nação ou colapsaremos conjuntamente.

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