Desmonte da Previdência

Bolsonaro fecha agências do INSS na Zona Leste e povo protesta

Fachada do Edifício Sede do Instituto Nacional do Seguro Social - Previdência Social.
Fachada do Edifício Sede do Instituto Nacional do Seguro Social - Previdência Social. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O governo Bolsonaro fechou o Posto de Atendimento do INSS no bairro de Ermelino Matarazzo e já anunciou o fechamento dos postos de São Miguel Paulista e Itaquera. No ano de 2018 o Temer já tinha fechado o posto de Guaianases. A pergunta é: porque o governo fecha esses locais de atendimento da população numa região tão populosa como a desses bairros onde se concentram mais de 3 milhões de habitantes dificultando mais ainda a vida do povo?

A resposta está no conjunto de medidas e ações que o governo tomou em relação à Previdência Pública e às aposentadorias dos brasileiros. Primeiro foi extinguir o Ministério da Previdência e colocar a administração do sistema nas mãos do ministro da economia, Paulo Guedes, que, como sabemos, é um empresario milionário do ramo da especulação financeira. Ele foi apelidado por Bolsonaro de “Posto Ipiranga” por saber dar as informações da área econômica área em que o presidente confessa ser um ignorante. Lembrando que fecharam também com o Ministério do Trabalho e querem acabar com a Justiça Trabalhista e outras instituições que defendem os trabalhadores.

Paulo Guedes está lá para privatizar as empresas públicas, cortar o mais que pode os “gastos” do Estado com políticas sociais, funcionalismo público e investimentos em obras e serviços, fazendo as “reformas” - da previdência, tributária e do funcionalismo - centradas em dois objetivos: diminuir a carga de impostos para os grandes empresários e tirar os pobres do orçamento do governo. Assim, as políticas públicas viram “negócios” para os empresários privados ganharem dinheiro e sobram recursos orçamentários para o setor financeiro, bancos, fundos de investimentos e rentistas lucrarem mais ainda do que já lucram. Enfim, Paulo Guedes está lá para defender os interesses dos seus colegas de setor.

Paulo Guedes, com o aval do seu deslumbrado chefe Bolsnaro (ou é ele o chefe de verdade?), tem um sonho: acabar com o sistema de previdência pública e colocar no lugar um sistema de previdência privada chamado de capitalização. Quem tem conta em banco e cheque especial sabe como é: o gerente quase que te obriga a comprar uma espécie de poupança que você só pode retirar o que depositou anos depois. Ele não conseguiu fazer isso na Reforma da Previdência que o governo aprovou no Congresso e Bolsonaro já sancionou, porque houve muita mobilização do povo através de fortes manifestações com apoio dos partidos e parlamentares progressistas e entidades sociais. O governo foi derrotado na capitalização das aposentadorias, mas conseguiu dificultar o acesso do trabalhador aumentando a idade mínima e tempo de contribuição.

Agora, o objetivo é criar mais dificuldades ainda para o povo se aposentar, demitindo funcionários e fechando postos e atrasando a aprovação daqueles trabalhadores que já têm o direito de se aposentar. Já são mais de 2 milhões de brasileiros que estão na lista de espera. Denunciado, o governo fala agora em criar força tarefa contratando militares para ajudar a acelerar os processos parados.

O governo faz isso porque é mal? Sim, porque Bolsonaro e Guedes acham que os trabalhadores são vagabundos e que não querem trabalhar e que só querem mamar no estado. Eles são são a encarnação do mal em sua plenitude para trabalhadores, classe média e pobres. E deuses para os ricos e muitos ricos. A toda hora o presidente fala que os empresários são uns coitados e que precisam ter sua vida facilitada, mas nunca dirigiu uma palavra ou fez um aceno para os trabalhadores. E ainda aproveita a demora para aprovar e conceder as aposentadorias para permitir ao governo “economizar” recursos para usar em outras áreas. Sim, é uma “pedalada”, mas o queridinho do Mercado, o “posto ipiranga” pode tudo. Um amigo meu que trabalhou e contribuiu com o INSS por quase 40 anos entrou com o pedido de aposentadoria e meses depois foi negado. Ele reclamou e o gerente da agência do INSS orientou que ele fizesse um recurso. Ele fez, desconfiado de que isso é proposital por parte do governo para retardar sua aposentadoria.

Hoje é dia de luta em defesa do INSS, da Previdência Pública e das aposentadorias. Vai ter manifestação dos trabalhadores lá no centro de São Paulo, puxada pelo sindicato da categoria, o Sinsprev e aqui na Zona Leste, o Padre Ticão - sempre ele - está convocando uma reunião para o início de fevereiro com o objetivo de unir o povo e seus representantes para resistir ao fechamento das agências na Zona Leste. É o caminho que resta ao povo: se conscientizar, se unir e lutar contra mais esse desmonte de uma política social justa e que corre o risco de se acabar.  

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