Despreparo contra a crise

O estado calamitoso do Brasil revela o profundo despreparo do governo Bolsonaro e os riscos da sua gestão. Em seis meses, ele não foi capaz de gerar nenhum dado positivo na economia

Brazil's President-elect Jair Bolsonaro arrives to a meeting in Brasilia, Brazil November 20, 2018. REUTERS/Adriano Machado
Brazil's President-elect Jair Bolsonaro arrives to a meeting in Brasilia, Brazil November 20, 2018. REUTERS/Adriano Machado (Foto: ADRIANO MACHADO - REUTERS)

O estado calamitoso do Brasil revela o profundo despreparo do governo Bolsonaro e os riscos da sua gestão. Em seis meses, ele não foi capaz de gerar nenhum dado positivo na economia. O aumento de 12,7% na taxa de desemprego no primeiro trimestre do ano, previsão de recuo do Produto Interno Bruto em 2019, queda de 2,2% na produção industrial, subida da inflação são índices que evidenciam que a nossa economia está no fundo do poço.

Até agora, Bolsonaro não apresentou nenhuma proposta para aquecer a economia ou para acabar com desemprego. Ele só age em duas direções: alimentar sua guerra ideológica tentando impor uma agenda ultraconservadora, desviando assim as atenções para os crescentes casos de corrupção no seu clã. E insistindo em subordinar o Brasil aos EUA. Enquanto isso, a economia afunda.

Além da subida da inflação impulsionada pelos aumentos consideráveis no gás de cozinha, na tarifa de energia elétrica e na gasolina, gastos que oneram o bolso do trabalhador, o grande gargalo da nossa economia é o desemprego. A desocupação cresceu para 12,7% no primeiro trimestre, atingindo 13,4 milhões de pessoas. E ainda aumentou para 4,8 milhões o número de desalentados, ou seja, pessoas que já desistiram de procurar trabalho. A informalidade disparou e houve drástica redução nos salários.

Bolsonaro parece um robô que repete sem parar que a reforma da Previdência é a solução para aquecer a economia. Mas não sabe explicar como esse milagre ocorrerá. O seu guru na economia, o ministro Paulo Guedes, fala em agenda ultraliberal e em vender tudo a preço de banana aos estrangeiros. Colocou o Brasil em liquidação em agenda nos EUA.

Mas ele também não explica como a retirada de direitos de milhões de brasileiros poderá acender a economia. Guedes quer a reforma para agradar aos bancos, e não alavancar o Brasil. Com Temer, o Congresso aprovou a tal da reforma trabalhista, que foi vendida como solução para geração de emprego, e o que vimos foi aumento da desocupação e precarização das relações de trabalho.

O povo é a favor da reforma, mas não essa que exige 20 anos de contribuição mais a idade de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres para ter direito à aposentadoria parcial. Ninguém quer uma reforma que visa a beneficiar banqueiros. E, mesmo diante da crise, Bolsonaro pretende gastar R$ 37 milhões em propaganda para justificar a retirada de direitos.

O desmonte da Previdência não vai resolver os nossos problemas. O que vai resolver o tal “déficit da Previdência” e impulsionar a economia é aumentar o salário mínimo, implementar um programa de geração de emprego, estimular o consumo das famílias, retomar o programa Minha Casa Minha Vida, que gera emprego e moradia popular, e investir na indústria naval e petrolífera.

O brasileiro hoje não vê luz no fim do túnel porque já se deu conta do estelionato eleitoral promovido pelo Bolsonaro e sua trupe. E nós, da oposição, seguiremos trabalhando para impedir os desmandos deste governo e a retirada de direitos.

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