Desvalorização do dólar bombeia PIB brasileiro em 2026 e favorece Lula na sucessão presidencial
A fuga de dólares dos EUA para a periferia capitalista devido ao relativo fracasso da estratégia econômica de Trump de combater déficit comercial, com tarifaço
A química entre os presidentes Lula e Trump, que irão se reunir no próximo mês, na Casa Branca, poderá ser um ingrediente a mais capaz de bombear o PIB brasileiro em ritmo maior do que o do ano passado, especialmente, com a queda mais acentuada do dólar; hoje a moeda americana está na casa dos R$ 5,18, com tendência à baixa.
A fuga de dólares dos Estados Unidos para a periferia capitalista devido ao relativo fracasso da estratégia econômica de Trump de combater déficit comercial, com tarifaço, mas sem poder aumentar, como gostaria, o superávit, porque não consegue competir com a China, tem favorecido da economia brasileira, no terceiro mandato do presidente Lula.
Primeiro, o tarifaço trumpista sobre o Brasil não deu certo em relação ao Brasil, porque os americanos, sem as exportações de produtos básicos brasileiros, enfrentariam inflação desestabilizadora; Trump, diante da reação interna à alta dos preços, teve que voltar atrás, enquanto aquilo que deixou de ir para os Estados Unidos se dirigiram para outros mercados, produzindo compensações, graças à política externa nacional.
Segundo, sem força suficiente para conter o déficit com reverso no aumento das exportações, para gerar superávit comercial, a economia americana se viu diante do crescimento do déficit em contas correntes do balanço de pagamentos; não está sendo possível mais aos Estados Unidos gerar superávit financeiro, para cobrir déficit comercial, porque o mercado financeiro teme aumento da dívida pública, que se aproxima dos 40 trilhões de dólares, afetando a saúde da moeda americana, quanto mais o tesouro dos Estados Unidos aumentam emissão monetária.
INSTABILIDADE MONETÁRIA AMERICANA
É essa fragilidade estrutural das finanças americanas, acelerada, adicionalmente, pelos investimentos em inteligência artificial, sem retorno lucrativo para valorização correspondente das ações, o fator da fuga em ascensão do dólar, segundo os analistas; mais: a moeda americana é afetada pelo yuan, moeda chinesa, porque o comércio internacional passou a ser dominado pela China, graças à política monetária expansionista de Pequim, sustentando juros baixos mediante crédito público.
Nesse compasso da crise monetária americana, o dólar, no Brasil, por exemplo, tende a ficar na faixa dos R$ 5,00 a R$ 5,20 – ou menos –, quanto mais o mercado internacional continuar soando alarme de instabilidade dos papeis emitidos pelo tesouro americano, para financiar dívida pública.
CLIMA ECONÔMICO FAVORECE QUARTO MANDATO
Nesse momento, a caída acentuada do dólar valoriza o real brasileiro, que combate a inflação, de forma mais intensa, comprando barato mercadorias importadas, forçando o IPCA para baixo; a desvalorização do dólar diminui, por sua vez, o desembolso para cobrir déficit em contas externas do balanço de pagamento, estimado, para este ano, na casa dos 65 bilhões de dólares; inflação em queda, como sinaliza a ata do Copom, para 2026 e 2027, eleva, relativamente, o poder de compra da população, o que aumenta a popularidade de Lula em ano eleitoral, no ritmo da valorização do real que barateia as importações.
Tal ambiente macroeconômico dado pela desvalorização do dólar, se ficar no intervalo de R$ 5,00 a R$ 5,20, ao longo de 2026, crescerá fortemente o setor de serviços, elevando taxa de emprego, enquanto a industrialização deverá sofrer impacto, sem afetar demasiado a oferta de trabalho, já que o avanço tecnológico no setor terciário é irreversível diante do desenvolvimento científico e tecnológico.
MAIS DINHEIRO NO BOLSO DO CONTRIBUINTE
A receita tributária terá aumento real relativamente maior para sustentar pressão do aumento de despesas em tempo eleitoral, graças à reforma dos tributos e o aumento da renda para os que ganham até R$ 5 mil, isentos do pagamento do imposto de renda; tal conjuntura, portanto, criada, como diz o presidente Lula, pelo humor vacilante de Trump, que joga o dólar para baixo, favorece a economia interna, que pode levar o PIB, em 2026, crescer mais que em 2025, como diz o analista econômico Paulo Gala.
As bandeiras eleitorais populares – fim da jornada de trabalho 6 x 1 em ritmo crescente no setor de serviços e a tarifa zero para o transporte coletivo, preparadas pelo governo – irão se somar ao quadro geral que começa embalar o presidente na busca pelo voto.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
