Devem as mulheres andar armadas para combater a cultura da violência?

A indústria de armas é um negócio patriarcal que só interessa a homens adoradores da violência

(Foto: Midia NINJA)


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Há poucos dias um blogueiro famoso escreveu em suas redes sociais que as mulheres deveriam andar armadas e que só assim poderiam se defender de seus agressores.

Ele disse isso tentando parecer um defensor das mulheres. Mas será que tal juízo tem alguma chance de ser favorável às mulheres? 

O enunciado “toda mulher deveria ter uma arma para se defender” é machista, mas de que tipo de machismo se trata? 

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De um machismo mais cínico e mais difícil de detectar, pois se esconde atrás da máscara de defesa das mulheres. 

O juízo machista busca ocultar seu machismo. 

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Mas o que é mesmo o machismo? E o que ele tem a ver com o patriarcado? 

O machismo é a ideologia e a tecnologia política do patriarcado. O patriarcado, por sua vez, é o sistema simbólico que se sustenta através do machismo. 

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O sistema transformou a violência em mercadoria. O sistema patriarcal e capitalista também trata as mulheres como mercadoria. 

A mercadoria arma deve ser usada pela mercadoria mulher. Nesse cenário, o lucro do patriarcado sempre será imenso. 

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O patriarcado cria a violência, cria a vítima e depois vem exigir que a vítima entre no jogo da violência para que se possa lucrar com ela mais uma vez. 

O enunciado do influencer é, portanto, um juízo enganador ou falacioso. Ele esconde um machismo mais profundo. 

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Ele esconde o cinismo mais profundo do machismo. 

Através da defesa da ideia de que mulheres devem andar armadas, esconde-se a cultura da violência típica do patriarcado que reproduz a violência contra mulheres - e evidentemente contra todos os corpos que o patriarcado vampiriza para se manter.

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Com o enunciado favorável ao armamento de mulheres, o influenciador ajuda a fomentar a violência que, histórica e cotidianamente, se reproduz contra as mulheres. Ele trata a violência como um fator que deve ser enfrentado com mais violência e, ao reivindicar que as mulheres que sofrem com a violência façam parte da violência, acaba ainda por minimizar a violência contra as mulheres, como quem diz: façam parte da onda de violência porque não há alternativa para vocês.

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