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Leonardo Attuch

Leonardo Attuch é jornalista e editor-responsável pelo 247.

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Dez anos depois, Dilma está firme e de pé – e os golpistas desmoralizados

Golpeada pelos políticos mais inescrupulosos do País, ela hoje escreve um capítulo importante da construção do mundo multipolar

A presidenta do NDB, Dilma Rousseff, durante a plenária da COP (Foto: Paulo Mumia/COP30)

Dez anos depois da sessão que marcou o golpe de Estado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, a história começa já foi reescrita não apenas pelos fatos, mas pela força incontornável da realidade. O tempo, juiz implacável, tratou de reposicionar personagens, desmontar farsas e expor as motivações que estavam por trás de um dos episódios mais sombrios da democracia brasileira.

Dilma Rousseff, a vítima central daquele processo, não apenas resistiu ao julgamento distorcido da história imediata, como se reergueu em uma dimensão ainda maior. Hoje, à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco dos BRICS, em Xangai, ela ocupa uma posição estratégica no momento mais decisivo da geopolítica contemporânea: a transição para um mundo multipolar.

Em um cenário de declínio relativo do poder unipolar dos Estados Unidos e de fortalecimento de novos polos econômicos e políticos, o NDB surge como instrumento concreto de financiamento ao desenvolvimento fora das amarras tradicionais impostas por instituições como o FMI e o Banco Mundial. Dilma, nesse contexto, tornou-se uma das vozes mais relevantes na defesa de um novo paradigma global, baseado em soberania, cooperação e desenvolvimento compartilhado.

Enquanto isso, os arquitetos do golpe seguem uma trajetória inversa — a da desmoralização pública e histórica.

O PSDB, que durante décadas se apresentou como uma alternativa de poder no Brasil, foi praticamente destruído a partir da aventura política liderada por Aécio Neves. Incapaz de aceitar o resultado das urnas em 2014, Aécio abriu as portas para uma escalada de radicalização que culminaria no impeachment sem crime de responsabilidade. O partido que no passado foi protagonista da política nacional transformou-se em uma legenda residual, sem identidade e sem relevância.

Eduardo Cunha foi o símbolo mais acabado do submundo da política que tomou o centro do palco naquele período. Foi ele quem conduziu a sessão infame de 17 de abril de 2016, operando o processo com motivações pessoais e interesses nada republicanos. Sua posterior prisão e condenação por corrupção apenas confirmaram o que já era evidente: o golpe foi articulado sob a liderança de personagens comprometidos com o crime.

Michel Temer, que assumiu a presidência após a queda de Dilma, também não escapou do desgaste histórico. Seu governo, marcado por medidas impopulares e pela implementação de uma agenda regressiva, o transformou num dos políticos mais impopulares da história do País, ainda que apreciado pela Faria Lima. Sua trajetória agora pode ganhar novos contornos à luz de investigações recentes envolvendo o banco Master, que começa a revelar conexões perigosas entre o sistema financeiro e figuras do poder político.

O contraste não poderia ser mais eloquente. De um lado, uma líder política que foi afastada sem crime comprovado, mas que retorna ao centro do cenário global como protagonista de uma nova ordem internacional. De outro, os responsáveis por sua queda, cada vez mais associados a práticas condenáveis, derrotas políticas e irrelevância histórica.

A história, afinal, não absolve arbitrariedades. Ela as expõe.

Dilma Rousseff está de pé. E mais do que isso: está no lugar certo, na hora certa, contribuindo para a construção de um mundo mais equilibrado, onde países em desenvolvimento possam trilhar seus próprios caminhos sem tutelas externas.

Já os golpistas, dez anos depois, enfrentam o destino que costuma ser reservado àqueles que conspiram contra a democracia: o da desmoralização e da lata de lixo da História.

Reveja a entrevista concedida por Dilma a mim como presidenta do NDB:

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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