Dia D da cloroquina: a irresponsabilidade de médicos lacradores nesse absurdo

São os mesmos que falarão mal da vacina chinesa, da OMS, de novos distanciamentos, darão permissão científica para liberar público nos estádios, defenderão ou destruirão tratamentos...

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Alguns médicos brasileiros defenderam a cloroquina e o tratamento precoce. Fizeram lives, lacraram em postagens, etc. Se diziam corajosos e que honravam seu "juramento". Driblaram a ciência, pedalaram o bom senso. Ganharam elogios e curtidas. Na época, prometeram que em breve sairiam as pesquisas que comprovariam suas teorias, ao mesmo tempo que desqualificavam a OMS e até os métodos científicos. 

Passaram-se meses e nada. Nada. Vazio. Nulo. Oco. O que foi publicado até agora, quem diria, confirma o que já sabíamos na época e mostra que os salvadores estavam totalmente equivocados e que jamais poderiam ter feito propaganda daquela forma, enganando a população, dando cartucho para políticos e malucos em geral. 

Propaganda de tratamento que não funciona usando a medicina e o título de médico como chanceladores é infração ética porque deturpa o objetivo do cuidado, ainda mais num momento de pandemia quando a medicina se torna determinante para rumos sociais. 

Nesse sentido, não há muita diferença na propaganda do Ozônio no ânus para tratamento da COVID defendido pelo médico e prefeito de Itajaí em relação ao kit que se divulgou e se vai distribuir no Dia D. Aliás, as pesquisas mostram que a cloroquina é ainda pior, porque, mesmo não ajudando em nada, apresentou até 2% de complicações graves. Foi banida pelo FDA em junho.

Ali perto de Itajaí, na mesma Santa Catarina, o secretário de saúde de Brusque disse, confundindo o que fazer com seus orifícios, que médicos que não fossem cloroquiners deveriam "pedir pra sair". 

Há muitas perguntas cujas respostas são importantes: esses médicos foram irresponsáveis inconscientemente? Estavam apenas apaixonados por um discurso? Queriam apenas fama e posicionamento em redes sociais? Por que diziam que quem era contrário à cloroquina era ideológico? As evidências contrárias às suas verdades já estavam disponíveis para que pelo menos tivessem a cara de pau de ponderar com dúvidas suas afirmações públicas. E não fizeram.

Cadê, afinal, as pesquisas que prometeram? Elas existiam? Se não existiam era mentira. Por que mentiriam? Como enganaram até o General Ministro da Saúde? Ele caiu nessa. 

Esses médicos deveriam, sim, ser chamados para pelo menos dar explicações na Justiça e nos Conselhos de Medicina, ou haverá prerrogativas claras para novas distorções impunes em outros momentos.

Acredito, sim, que sabiam que estavam botando parte da população contra os outros médicos e contra a ciência. Ninguém é tão inconsequente de não imaginar isso. Estávamos numa situação crítica e o debate da cloroquina já dominava narrativas nos EUA e aqui nas redes sociais. Sei que o assunto parece batido, mas são os mesmos colegas que foram e são críticos do distanciamento social, que ignoram as medidas tomadas em outros países.

Falam da medicina e do cuidado como se fossem mais inteligentes ou mais médicos que todos os outros e do que a ciência. São os mesmos que continuarão a emitir posições referentes ao cuidado na pandemia. Falarão mal da vacina chinesa, da OMS, de novos distanciamentos, darão permissão científica para liberar público nos estádios, defenderão ou destruirão tratamentos... Propagarão a sua forma de interpretar a medicina, atendendo a interesses que eu não compreendo, deixando a população em dúvida. 

Políticos e manipuladores da opinião pública se aproveitam desses médicos facilmente. São úteis apenas para enfraquecer a ciência e a medicina. São úteis para dizerem que não há consensos ou que a categoria está dividida sobre determinado assunto. O que ganham? Sabemos mesmo é quem sempre perde.

O Dia D da Cloroquina em plena campanha eleitoral é um crime contra a saúde pública, contra a democracia e é um degrau importante que os negadores e manipuladores da ciência alcançarão. É a mesma linha do movimento anti-vacina, cheia de delírios paranoicos e necessidade de identificação em grupos. Aliás, bebês precisam mesmo de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses? E a destruição das florestas impacta mesmo na saúde?

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