Dilma ou Temer?

"Um governo Temer, ao contrário do que diz, não significaria o fim da crise, mas seu aprofundamento e prolongação", diz o cientista social e colunista do 247 Emir Sader; segundo ele, o vice, caso empossado, "teria que apelar para medidas repressivas em todos os planos, ao mesmo tempo que teria que tomar decisões que libertassem seus principais dirigentes dos graves processos de corrupção"; "Tendo a seu lado Lula, Dilma se propõe a um novo governo, que é a única via hoje para terminar com a crise. Propor um pacto nacional de retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, que dê início a um verdadeiro processo de reconstrução do país", diz ainda

"Um governo Temer, ao contrário do que diz, não significaria o fim da crise, mas seu aprofundamento e prolongação", diz o cientista social e colunista do 247 Emir Sader; segundo ele, o vice, caso empossado, "teria que apelar para medidas repressivas em todos os planos, ao mesmo tempo que teria que tomar decisões que libertassem seus principais dirigentes dos graves processos de corrupção"; "Tendo a seu lado Lula, Dilma se propõe a um novo governo, que é a única via hoje para terminar com a crise. Propor um pacto nacional de retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, que dê início a um verdadeiro processo de reconstrução do país", diz ainda
"Um governo Temer, ao contrário do que diz, não significaria o fim da crise, mas seu aprofundamento e prolongação", diz o cientista social e colunista do 247 Emir Sader; segundo ele, o vice, caso empossado, "teria que apelar para medidas repressivas em todos os planos, ao mesmo tempo que teria que tomar decisões que libertassem seus principais dirigentes dos graves processos de corrupção"; "Tendo a seu lado Lula, Dilma se propõe a um novo governo, que é a única via hoje para terminar com a crise. Propor um pacto nacional de retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, que dê início a um verdadeiro processo de reconstrução do país", diz ainda (Foto: Emir Sader)

Moreira Franco, coordenador do projeto golpista, disse que a alternativa no Brasil hoje é entre Dilma e Temer. Como tudo o que ele diz, é raso, vulgar e equivocado.

Para começar, do lado de Temer está Eduardo Cunha, resumo de tudo de pior que tem o país hoje. Alinhar-se a ele já basta para dar a natureza e os limites do que significa o projeto encabeçado pelo Temer. Um governo seu teria à cabeça a pior reunião de políticos tradicionais, que só vivem à sombra das negociações parlamentares sombrias, todos eles envolvidos em casos de corrupção, alguns com vários processos no próprio STF.

Seria a alternativa para aprofundar a crise, porque esse governo não teria condições de governar. Seria assediado desde fora, com a mesma punição que os golpes brancos similares tiveram – os de Honduras e do Paraguai – com a suspensão do Brasil dos organismos regionais – Mercosul, Unasul, Celac –, até que a institucionalidade fosse restaurada, com o retorno do presidente eleito ou com novas eleições democráticas.

Além disso, seria um governo que nasce sob o signo da traição e de um programa que resume o que de mais restaurador das propostas conservadoras e anti-populares existe hoje no pais, na continuidade dos retrocessos impostos pelo Congresso, sob a direção de Eduardo Cunha. Um programa que tem um viés abertamente de vingança contra os direitos sociais conquistados desde 2003, por mais que se diga que se vão manter os programas sociais. Assim como acontecia com os candidatos da direita na campanha eleitoral de 2014, suas políticas econômicas apontam na direção opostos, em cortes duros nas políticas sociais. (Recordemos que Armínio Fraga, consultado por Temer, afirmou que o problema do Brasil é que “o salário mínimo é muito alto”, de onde se pode imaginar que tipo de política econômica e social teria um governo de direita.)

Alem desse caráter antipopular, esta presente na plataforma elaborada por Moreira Franco para o PMDB um objetivo claramente entreguista, que visa, conforme as propostas o Serra, privatizar a Petrobras e o pré-sal, sob o pretexto de que faltam recursos para investir. Um objetivo que aponta diretamente para trazer as grandes empresas internacionais do petróleo para se apropriar da nossa maior riqueza e do projeto que mais garante o nosso futuro.

Um programa antipopular e antinacional, hoje, diante dos avanços conseguidos nestes anos e das extraordinárias mobilizações do povo em todo o Brasil, em todos os setores da sociedade civil, se chocaria com esses obstáculos, e só sobreviveria por meio da repressão e de medidas antidemocráticas. Como poderia conviver com esse poderoso movimento nas ruas e com uma liderança como a do Lula? Não há dúvida que ao caráter antipopular e antinacional, se somaria o caráter antidemocrático e autoritário, ditatorial, embutido no projeto da direita hoje.

Um governo Temer, ao contrário do que diz, não significaria o fim da crise, mas seu aprofundamento e prolongação. Se geraria a maior crise social e política que o Brasil já conheceu, com impasses abertos à ação de um governo de direita no país hoje. Na sua ingovernabilidade, teria que apelar para medidas repressivas em todos os planos, ao mesmo tempo que teria que tomar decisões que libertassem seus principais dirigentes dos graves processos de corrupção. Teria que agira contra os movimentos populares, os partidos de esquerda, as entidades da sociedade civil, o próprio Judiciário, a mídia alternativa. Tentando sobreviver contra o consenso nacional de hoje de que “Não vai ter golpe”, jogará o Brasil no caos, como deseja a direita e as forcas internacionais que se interessam em inviabilizar o pais, a integração latino-americana e os Brics. Constituiria, com o governo argentino atual, um núcleo neoliberal que trataria de desarticular os outros governos progressistas da região e recolocar a região no circuito neoliberal, que tantos danos provocou aos nossos países nos anos 1990.

Tendo a seu lado Lula, Dilma se propõe a um novo governo, que é a única via hoje para terminar com a crise. Propor um pacto nacional de retomada do crescimento econômico com distribuição de renda, que dê inicio a um verdadeiro processo de reconstrução do país, vitimizado pelas forças que, de uma ou outra forma, estão desarticulando o potencial produtivo que fomos acumulando ao longo do tempo. Uma proposta que pode, perfeitamente, abrir um grande debate nacional sobre as propostas de futuro para o Brasil, que pode desembocar numa Assembleia Constituinte em 2018, que promova as reformas, não apenas do sistema politico, mas o próprio Estado brasileiro, para coloca-lo em condições de promover e não de obstaculizar o desenvolvimento econômico, social, politico e cultural que o Brasil precisa.

Mas para evitar o caos que o governo Temer representaria, e para reencaminhar o país no caminho do seu desenvolvimento, em paz, com progresso social e diversidade cultural, é preciso agora derrotar a direita, brecar o golpe que significa o impeachment. São estas alternativas diametralmente opostas que estão em jogo, não apenas a alternativa Dilma ou Temer. A alternativa Lula ou Eduardo Cunha resumiria melhor os dilemas que estão sendo decididos nestes dias no Brasil, que definirá não apenas seu futuro imediato, mas sua fisionomia em toda a primeira metade do novo século. 

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