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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Dilma vai esfregar o golpe na cara dos golpistas

"Os senadores golpistas estão à beira de um ataque de nervos por causa do confronto com a presidente Dilma dessa segunda-feira que promete. Cássio Cunha Lima voltou de novo ao tema da censura declarando ao Estadão: 'Não podemos admitir que ela use a palavra golpe numa sessão presidida pelo presidente do Supremo'. Pobre senador! Talvez não saiba que o artigo 5º. da constituição brasileira garante o livre direito de expressão para qualquer cidadão brasileiro. Além de quererem cassar seu mandato sem nenhum motivo querem também cassar sua palavra", diz o colunista Alex Solnik

 senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado (Foto: Alex Solnik)

Os senadores golpistas estão à beira de um ataque de nervos por causa do confronto com a presidente Dilma dessa segunda-feira que promete.

   No apagar das luzes do depoimento das testemunhas, ontem à noite, o pusilânime senador José Medeiros revelou toda a sua covardia quando pediu ao presidente do impeachment, Ricardo Lewandowski para impor limites ao depoimento dela, sob a justificativa de que ela faria provocações, com o que Lewandowski não concordou.

   Hoje, seu colega Cássio Cunha Lima voltou de novo ao tema da censura declarando ao Estadão:

   “Não podemos admitir que ela use a palavra golpe numa sessão presidida pelo presidente do Supremo”.

   Pobre senador! Talvez não saiba que o artigo 5º. da constituição brasileira garante o livre direito de expressão para qualquer cidadão brasileiro.

   Além de quererem cassar seu mandato sem nenhum motivo querem também cassar sua palavra.

   A preocupação deles é explicável. A sessão de segunda-feira será vista atentamente por milhões de pessoas no Brasil e em vários países. E eles têm medo de aparecerem como golpistas diante do mundo.

   Não há dúvida que ela não vai poupar ninguém, principalmente os que foram seus aliados e a trairam. Especialmente seus ex-ministros ou ex-ministros de Lula, tais como Fernando Bezerra, Marta Suplicy, Cristóvão Buarque. Ela não teme encarar quem quer que seja num debate, o que já demonstrou na juventude. Ela é boa nisso.

   Durante um congresso do grupo que integrava, a Vanguarda Popular Revolucionária, em 1969, manteve uma discussão acirrada durante vários dias e noites com um dos maiores ídolos da esquerda, o capitão Lamarca, que sabia muito de luta armada mas quase nada de ideologia e o encurralou.

   No último dia de discussão preparou uma peça especial. Compôs, em parceria com um colega, uma versão satírica do grande sucesso da época, “País Tropical” e o cantou para ele, que usava o codinome “Capitão”, na frente de todo mundo.

   Dizia mais ou menos assim: “Este/ é um congresso tropical/ abençoado por Lênin/ e confuso por natureza/  em fevereiro/ em fevereiro/ tem Juvenal/ tem Capitão/...”

   Ele não aguentou a sátira. No dia seguinte bateu em retirada, abandonou o grupo.

   Tal como fez com Lamarca, na cara de quem esfregou a sua confusão ideologica, Dilma vai esfregar o golpe na cara dos golpistas.   

   Ou eles batem em retirada ou serão desmascarados em público.

   Talvez ela apresente uma nova sátira, chamada "Impeachment tropical", mais ou menos assim:

   “Este/ é um impeachment tropical/ abençoado por Temer/ e golpista por natureza/...  

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.