Dinheiro de plástico

Recomendo utilizar esta ferramenta - os cartões - para disciplinar o uso consciente do dinheiro e para que os dependentes tenham noção real de valor

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Alguns números importantes sobre a economia brasileira chamaram a atenção na última semana. Além do esforço do governo federal em retomar a credibilidade de sua política econômica via ajuste fiscal, os dados relacionados ao consumo dos brasileiros vem chamando a atenção. Em especial o consumo via cartões de crédito e débito.

A verdade é que com o modelo proposto de crescimento econômico via exclusivo incremento de consumo mostra-se esgotado. As ambições sobre as possibilidades de expansão demonstram que o crédito pulverizado e o acesso as linhas de cartões de crédito fomentam a manutenção do mercado consumidor.

Tudo isso é resultado da manutenção das taxas de emprego e horizonte de planejamento sólido, pois o endividamento feito de forma consciente passa pela confiança em se manter empregado, com fluxo de recebimentos positivos e renda disponível.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS), os números de 2013 reforçam que a utilização de cartões de crédito e débito devem continuar subindo, reduzindo gradualmente a utilização de moeda em espécie.

De se destacar ainda que, muitos optam por utilizar o dinheiro de plástico como medida preventiva a assaltos. Os números referentes ao mercado de cartões são:

17,8% - crescimento da utilização de cartões de crédito e de débito, entre 2012 e 2013;
R$ 853 bilhões – volume transacionado, sendo R$ 554 bilhões em operações de crédito e R$ 292 bilhões em operações de débito.
4,7 bilhões de operações de operações a débito
4,4 bilhões de operação a crédito.
R$ 1 bilhão – volume esperado para 2014
R$ 71,00 - Valor médio gasto pelos brasileiros em cada operação de débito;
R$ 317,00 – Valor médio gasto pelos brasileiros em cada operação de crédito;

Mais do que simples números isolados de uma amplitude econômica, as informações sobre as transações de dinheiro de plástico faz com que avaliemos o impacto de sua criação dentro do contexto da economia.

Não há hoje uma restrição de possibilidade de compra como antes. Veja bem, trata-se de possibilidade de compra, e não restrição orçamentária. O consumidor sente-se "apoderado" quando servido de um cartão de crédito, o que amplia sua vontade de comprar. Prova disto é o ticket médio gasto pro usuários de cartões de crédito versus débito.

O acesso às linhas de cartões são fáceis e ágeis, não existindo um limite estabelecido. Não é difícil receber ligações oferecendo cartões de operadoras diferentes, bandeiras diferentes e anuidades díspares. Faça um exercício e some o total do limite disponível em todos os cartões de crédito e divida pela sua renda líquida (bruto menos os impostos). Aposto que perceberá uma média de três ou quatro, que significa um limite aprovado de quatro vezes a sua renda mensal.

Há cartões que oferecem retorno em milhagens, descontos em combustíveis ou simplesmente acúmulo de benefícios para troca em clubes de vantagens. Outros cartões não cobram anuidade em troca de utilização mínima mensal. A verdade é que a utilização dos cartões, quando feita de forma consciente, é uma ferramenta de gestão orçamentária.

A organização das contas ao final do mês, com classificação de despesas por natureza é uma forma excelente de se verificar efetivamente para onde nosso orçamento pessoal se esvai. É importante utilizá-lo com a consciência de que no próximo mês a fatura chegará, e o não pagamento de seu valor total, certamente gerará uma cobrança com juros abusivos no próximo mês, iniciando uma "bola de neve" em dívidas.

Outra constatação da evolução do dinheiro de plástico são as estórias contadas por pais quando se negam a comprar algo para o filho com o comentário "papai não tem dinheiro". De pronto, a criança responde "então passa cartão". Aos mais experientes, recordarão da frase como "então dá cheque". O cartão substituiu de forma importante a circulação de cheque, o que não quer dizer que o talonário de cheque esteja aposentado.

Ainda para os filhos, os cartões de crédito são formas de controlar a destinação das mesadas, uma vez que pode-se estabelecer limites ao cartão adicional ou simplesmente creditar o dinheiro em um cartão pré pago. Recomendo utilizar esta ferramenta para disciplinar o uso consciente do dinheiro e para que os dependentes tenham noção real de valor. As mesadas são muito mais do que simples "doação" de dinheiro aos filhos, é forma de educá-los financeiramente.

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