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Tereza Cruvinel

Colunista/comentarista do Brasil247, fundadora e ex-presidente da EBC/TV Brasil, ex-colunista de O Globo, JB, Correio Braziliense, RedeTV e outros veículos.

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Dino, uma epifania

"As redes bolsonaristas estão rugindo contra o 'comunista' no Supremo porque eles sabem que estão diante de uma ocorrência histórica", aponta

Flávio Dino (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)
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 É claro que os ativistas da extrema-direita vão explorar a fala de Lula, sobre sua alegria com a chegada de um “ministro comunista” ao STF, embora tenham entendido que o presidente apenas tirava um sarro deles mesmos, que acreditam no perigo comunista nessa altura dos tempos.  Mas há uma outra camada sobre a exultação de Lula: a chegada à Suprema Corte de uma figura com a dimensão e as qualidades de Dino é um feito sem precedentes, um sinal de que, apesar das brumas e nuvens sombrias, continuamos avançando para a luz. Uma epifania.

Neste momento, Flavio Dino tem a raríssima condição de membro da cúpula dos três poderes. Ainda é ministro da Justiça,  ainda é senador e será ministro do STF, e isso fala por si. Pela primeira vez, um ex-governador chega ao Supremo, e isso fará diferença em sua atuação, pois aprendeu sobre os escaninhos do Executivo na União, como ministro, e na federação, como governador. Mesmo não tendo vivido “no céu” que é o Senado, foi um deputado excepcional.  Ao Judiciário volta, tendo sido juiz federal. O notório saber jurídico, obtido na prática e na atividade acadêmica, ninguém lhe negou na sabatina da CCJ do Senado.

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Enquanto Flavio Dino era sabatinado, lembrei-me de uma tarde do início de2007: o deputado Sergio Miranda, que já partiu, levou-me ao café da Câmara para conhecer um deputado estreante.  Eu devia prestar atenção a ele, porque “iria longe”. Era Flávio Dino, ex-juiz federal, eleito em 2006 pelo PC do B.   E fiz isso nos anos seguintes. Dino perdeu a eleição para governador em 2010, foi depois presidente da Embratur, governador duas vezes, senador eleito e ministro da Justiça. Passou por estes cargos sem arranhão. Pelo contrário, destacando-se pela coragem, a servidão ao interesse público, a coerência com as idéias.

Durante a sabatina, em que ele fez desfilar  a habilidade política, o saber jurídico, o compromisso em servir e aquele carisma tão peculiar,  combinando o sorriso e o humor que desarmam o mais azedo adversário, muita gente certamente lamentou: é uma pena que a política, hoje tão indigente, vá perder um quadro tão excepcional.  Mas Lula certamente olhava mais adiante quando o escolheu, pensando nos tempos insondáveis que nos esperam, e que o terão lá no Supremo por muitos anos.

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 Dino certamente agigantou-se no 8 de janeiro, quando enfrentou o touro à unha, apontou o caminho certo e tomou as medidas contra o golpe enquanto a multidão rugia lá embaixo, quebrando tudo.  Da janela do gabinete ele olhava o mar verde-e-amarelo furioso e pensava: “e  se eles subirem aqui, o que será de nós?”.  Nos dias seguintes, foi para nós, numa entrevista à TV 247, que contou detalhes daquelas horas dramáticas. Na janela, até sentiu a lufada do medo, mas  em nenhum momento pensou em render-se ou fugir. Mais forte era o imperativo de defender a democracia e derrotar aquela insurgência infame.

 O 8 de janeiro o agigantou mas Dino estava  lá, naquele cargo, naquela hora, por tudo o que já fora e fizera antes. As redes bolsonaristas estão rugindo contra o “comunista” no Supremo porque eles sabem que estão diante de uma ocorrência histórica.

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