Dinos
Documentário "Dinos do Brasil" desperta memórias de um geólogo sobre a paleontologia e a paixão de pesquisadores por fósseis encontrados em solo urbano
Outro dia, ciscando na TV, me deparei com o documentário “Dinos do Brasil” [1]. O quarto episódio “Fósseis Urbanos” de uma série de 5 programas, era sobre os fósseis de dinossauros encontrados em terrenos no município de Uberaba e seu distrito Peirópolis, localizados no Triângulo Mineiro e em Monte Alto, interior do Estado de São Paulo.
À parte os achados desses répteis do passado que eram mostrados, chamou a atenção (e emocionou) como os envolvidos nas escavações, professores, alunos e voluntários, manifestavam sua dedicação (e paixão) nos estudos subsequentes às descobertas, muitas delas em solo urbano, rodeado de prédios, avenidas e ruas.
Deu para entender, que a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFMT) é um dos núcleos dos trabalhos e estudos paleontológicos. Segundo o livro “História Geológica da Vida” de 1969 “(...) a Paleontologia (do gr. palaios, antigo; ontos, ser; logos, tratado, estudo), que é a ciência dos fósseis, vem se desenvolvendo há mais de um século ao lado da geologia das rochas sedimentares. O elo Paleontologia - Geologia foi ainda reforçado no início do século passado graças à descoberta de que os fósseis permitem a determinação da idade relativa das rochas sedimentares. (...)” [2]
A disciplina de paleontologia ministrada nos cursos de geologia, no geral, nos dias de hoje, é mais encorpada de carga horária e conteúdos dada sua importância na grade curricular, diferentemente de uma disciplina de um único semestre na época quando fiz o curso de geologia, cinco décadas atrás. Como estudei no antigo científico com a turma da medicina, gostava de biologia e a disciplina de um único semestre foi muito pouco porque era área que pretendia avançar com estágios (o que nunca aconteceu) e com trabalhos de campo (também sem êxito), como o que foi visto no citado documentário.
Lembro que no segundo ano do curso, por motivo de doença, perdi a excursão da disciplina de paleontologia, para a coleta de alguns exemplares fósseis, e fui junto com um colega de classe repor a parte prática da aula perdida. Na limpeza do material sedimentar coletado, apareceu um dente de peixe não esperado e que acabou rendendo uma boa avaliação e elogios da parte do professor responsável. Essa foi a única (e última) experiência nessa importante área da ciência geológica/biológica e que mantenho profundo respeito e admiração.
Para fechar, recomendo assistir a série “Dinos do Brasil” que pode, muito bem, estimular mentes e corações de estudantes do ensino médio e superior na busca de conhecimento na área da paleontologia com os dinos (sauros) e companhia [3].
“Amanhece, preciso ir. / Meu caminho é sem volta e sem ninguém, / eu vou pra onde a estrada me levar. / Cantador, só sei cantar ...” - trecho da canção “O Cantador” de Dori Caymmi e Nelson Motta de 1967.
Fontes
[1] “Dinos do Brasil”. Documentário. Quarto episódio “Fósseis Urbanos”.
https://globoplay.globo.com/v/13282834/
[2] “História Geológica da Vida” livro de A. Lee McAlester de 1969. Editora Edgard Blücher Ltda. 174 páginas.
[3] “Dinossauros” artigo de Heraldo Campos de 17/08/1992. Caderno Folha Vale SP do Jornal Folha de São Paulo. Artigo que faz parte da coletânea “Por onde a água passa – tentativas de divulgação e popularização de trabalhos técnico-científicos”, que pode ser acessado, gratuitamente, via https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1527787
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
