Diplomacia religiosa inconstitucional do vice reforça cassação da chapa Bolsonaro-Mourão

(Foto: ABr)
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O vice presidente general Hamilton Mourão pode ter dado tremendo tiro no pé ao cumprir missão político-diplomática em Angola, África, a pedido de Bolsonaro para defender o bispo Edir Macedo da Igreja Universal, cujos membros foram expulsos do país africano acusados de corrupção; Mourão foi chamado a resolver tremendo abacaxi, típica tarefa dada por amigo da onça; a associação, dentro da Igreja Universal, em Angola, de bispos brasileiros e angolanos, implodiu, politicamente, devido às disputas internas de poder; controlados pela TV da Igreja Universal, líder de audiência no país, os bispos, no racha político, foram parar na justiça; verificada a corrupção no reino do bispo Macedo, os juízes angolanos expulsaram 99 brasileiros integrantes da Universal, sendo 58 bispos e o restante familiares; Macedo se socorreu a Bolsonaro que tentou resolver o impasse, apelando para o presidente José Lourenço; o titular do poder angolano não interferiu na decisão soberana da justiça e, portanto, ficou consumada a expulsão dos bispos de Macedo, sem apelação, em obediência à institucionalidade governamental de Angola; a insistência de Macedo sobre Bolsonaro para ajuda-lo levou o presidente, dependente dos votos evangélicos controlados por Macedo, no Brasil, a apelar ao vice Mourão para quebrar o galho dele; Mourão topou exercitar essa diplomacia extemporânea, ilegal, inconstitucional, já que o Brasil é país laico e não está nas funções governamentais agir contra ou a favor de interesses dessa ou daquela religião, seja qual for o seu credo.

POLÍTICA E RELIGIÃO COMPLICA MOURÃO

A decisão de Mourão de ir à Angola para conversar com o presidente José Lourenço, adversário político do bispo Macedo, precipitou crise que pode, por vias indiretas, atingir a chapa Bolsonaro-Mourão sob ataque no TSE brasileiro; a situação de Macedo está, em Angola, fragilizada, não, apenas, pela decisão da justiça angolana de expulsar os bispos da Igreja Universal, mas, também, porque ele, o bispo Macedo, tornou-se adversário do presidente José Lourenço, ao apoiar, na campanha eleitoral, o ex-presidente José Santos,  acusado de corrupção por ter recebido propina da Odebrecht; ou seja, Mourão, ao tentar salvar o bispo Macedo do seu adversário, nada mais, nada menos, que o presidente de Angola, jogou, politicamente errado; essa escorregada política do vice brasileiro contribui, de forma indireta, para reforçar processo contra a chapa eleitoral Bolsonaro-Mourão, que se desenrola no Tribunal Superior Eleitoral(TSE); acusada de fraude nas eleições de 2018, devido ataques cibernéticos às chapas de adversários concorrentes na disputa eleitoral, ganha força movimento de cassação da chapa vitoriosa em 2018.

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TSE PODE ANULAR A CHAPA E PRECIPITAR SUCESSÃO NO BRASIL

Os ataques, realizados por hackers contratados pela militância bolsonarista, na tarefa de deturpar informações e promover inversões de notícias capazes de prejudicar adversários de Bolsonaro-Mourão, em 2018, poderão levar o duro troco da sua própria cassação; as investigações do TSE, nesse sentido, ganham velocidade, especialmente, no contexto de desgaste político bolsonaristta na pandemia do novo coranavírus, conduzido pela CPI da Covid, fonte de escândalos intermitentes; a ação criminosa contra os adversários de Bolsonaro e Mourão, na disputa eleitoral, teria sido conduzida por empresas privadas, com dinheiro ilegal de caixa 2 eleitoral; as denúncias foram feitas à justiça eleitoral pelos candidatos do PDT, Ciro Gomes, e do PT, Fernando Haddad; inicialmente, desqualificadas por faltas de provas, no TSE, a denúncia ganhou corpo durante investigações, no Senado, sobre as fakenews disparadas pelos bolsonaristas condutores da chapa Bolsonaro-Mourão; o relator do processo de investigação, ministro do Supremo Tribunal Federal(STF), Alexandre de Moraes, integrante do TSE, decidiu incorporar as investigações sobre as fakenews às que estão em andamento conforme solicitação de Ciro e Haddad.

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RESULTADO POLÍTICO EXPLOSIVO

O resultado dessa incorporação, promovida por Alexandre Moraes,  foi o de ganhar mais força e conteúdo o processo de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, apoiada, amplamente, pela Igreja Universal, expulsa, nesse momento, de Angola, onde Mourão foi negociar em favor do bispo Macedo a pedido de Bolsonaro;  institucionalmente, essa não deveria ser tarefa do vice-presidente, mas do Itamarati; em conversa com o presidente de Angola, José Lourenço, que entrou em choque com a Igreja Universal, acusada de corrupção no país africano, o vice-presidente brasileiro exercitou diplomacia típica de Estado religioso e não de Estado laico, como é o caso brasileiros; feriu princípios constitucionais, para defender, ilegalmente, adeptos políticos de Bolsonaro, que entraram em desgraça política em Angola; na prática, Mourão, não, apenas, atropelou a diplomacia, mas, igualmente, complicou a situação da chapa Bolsonaro-Mourão, acusada, no TSE, de corrupção eleitoral, na disputa das eleições em 2018.

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