Direita encontra um candidato para chamar de seu

"Ao entrar hoje para a reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, Rodrigo Pacheco o fez na condição de presidente do Senado. Ao sair, 45 minutos depois, o fez como candidato", avalia a jornalista Denise Assis

(Foto: Pedro Gontijo)
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Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia 

Nas próximas pesquisas de opinião sobre a preferência do eleitor para o cargo de presidente da República, já deverá estar inserido nas opções, mais um nome. Ao entrar hoje para a reunião com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, Rodrigo Pacheco o fez na condição de presidente do Senado, que busca o diálogo para aplacar o clima de beligerância reinante no país, com declarações de Bolsonaro cada vez mais estridentes. Ao sair, 45 minutos depois, o fez como candidato.  

A postura, o tom e o cuidado na escolha das palavras - como um comensal em restaurante fino a escolher seu prato, no cardápio -, Pacheco deixou claro as suas pretensões. Seu discurso tinha endereço certo. Falou o que a Fiesp, o Santander e a Natura querem ouvir. A fala pausada, a alvura da pele, o terno bem cortado e o discurso apaziguador o fizeram naquele instante o candidato dos sonhos dos que abominam os maus modos de Bolsonaro e não perdoam a origem nordestina e de menino pobre, que aos olhos deles transformam Lula num legítimo representante das franjas da sociedade. Aquela, onde estão os que só participam do “Estado” se conseguirem sobreviver ao risco de queda das bordas do mapa do Brasil, onde vivem dependurados. Lula foi um deles. E não só sobreviveu, como teve a audácia de pisar nos tapetes fofos dos palácios, trazendo no sapato a poeira vermelha da terra esturricada de sua origem.

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Pacheco não altera a voz, fala em diálogo e conciliação. E, o que é melhor. Descarta a emergência de um impeachment, para dar tempo aos grandes empresários de formatar candidato e candidatura, de modo a que seu perfil vá sendo trabalhado laboriosamente pela mídia. O primeiro a perceber e a correr para dar a boa nova, redigindo rapidamente uma “nota” (o que não é de seu feitio, mais afeito aos textos analíticos e longos), foi aquele moço que costuma falar pelos patrões. Nem esperou a saliva de Pacheco esfriar. Destacou logo o papel “importante” do senador, “neste momento conturbado da política” e sua busca em “acalmar a situação”. Também tratou de ressaltar que Gilberto Kassab (PSD-SP) lançou seu nome, recentemente, mas não sem antes descrever o perfil de homem habilidoso de Pacheco, e apontá-lo como excelente para a “terceira via”, o santo Graal tão almejado pela elite sem opção para o momento.

O encontro desta quarta-feira aconteceu em meio às ameaças de Bolsonaro de que vai enviar ao Senado pedidos de impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Arisco, o presidente do Senado saiu da reunião retomando a proposta de que os três poderes retomem a pauta de um encontro para estabelecer pelo menos um estado de normalidade. “É fundamental e muito importante que esse diálogo aconteça sistematicamente. Fiz um pedido para o ministro Luiz Fux para que possamos restabelecer esse diálogo inclusive com o Executivo. Havíamos estabelecido uma reunião entre os Poderes, eventualmente com o procurador-geral da República, que é importante que esteja no diálogo, e essa reunião acabou sendo cancelada. E é muito importante que se restabeleça esse contato”, declarou, solene, na saída da reunião com o ministro Fux.

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Isto, no dia seguinte ao anúncio de uma pesquisa onde Lula aparece com a marca de 40% das intenções de voto em uma das simulações de primeiro turno – uma oscilação positiva de 2 pontos percentuais em comparação com os registros de julho – e ampliou de 12 para 16 pontos a vantagem sobre o segundo colocado, o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em viagem pelo Nordeste, o ex-presidente Lula articula com os vários partidos do espectro de centro-esquerda, alianças regionais que possam reforçar a sua candidatura para o ano que vem. Talvez fosse o caso de, na volta, dar uma passagem por Brasília e tentar uma agenda com Rodrigo Pacheco. Não, não estou sugerindo nada. Apenas dizendo que o momento é de diálogo. Coincidentemente, é o que Rodrigo Pacheco está propondo. Mas, claro, seu recado foi para a Faria Lima, que a esta altura já olhou para a chaminé, de onde espera sair, enfim, a fumaça branca. Que rufem os tambores e soem as trombetas. A terceira via pede passagem e a direita (este é o nome correto deste segmento), comemora.

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