Diretas já

Se a rua arrefecer, a hipótese de os golpistas executarem manobras "legais", e até as mais esfarrapadas, para evitar a volta (provável) do PT ao poder é um risco maior ainda

diretas
diretas (Foto: Saturnino Braga)
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Acho muito importante manter a movimentação de rua pelas diretas já, com o objetivo de garantir as eleições em 2018. Deputados e senadores são especialmente sensíveis à pressão da rua.

Todavia, tenho muito medo de um resultado estapafúrdio numa eleição a curto prazo, com os partidos despreparados, a opinião pública descrente e desorientada, o clima antipolítico fervente. Eu não penso que o Brasil deva correr este risco. Prefiro esperar dezoito.

Entretanto, se a rua arrefecer, a hipótese de os golpistas executarem manobras "legais", e até as mais esfarrapadas, para evitar a volta (provável) do PT ao poder é um risco maior ainda. Depois de tantas peripécias esdrúxulas para desalojar, de forma ilegítima, o partido que tinha valorizado o ganho do trabalho, os direitos sociais, a eliminação da miséria, e tinha dado projeção internacional ao Brasil como nunca antes ocorrera; depois de assumir sem peias todo este vexame histórico, aceitar o resultado de uma eleição limpa, render-se à vontade da maioria no voto e reconhecer o fracasso e o golpe, seria uma derrota devastadora, um verdadeiro suicídio político. Custo a acreditar que aceitem, sem antes apelar para todas as manobras e tentativas possíveis de evitar este dano decretado pelo voto popular. Todas, até as mais estrambóticas. Golpista é golpista.

Então, diretas já nas ruas, com muita gente, com muito barulho e muito entusiasmo, em todos os cantos do País!

E aproveitar o período da campanha para ir projetando lideranças novas. O PT, por exemplo, mesmo com a garantia da candidatura Lula, que pode ser inviabilizada só no último momento, tem que pensar em alternativas e não apostar num trunfo único. Obrigatoriamente, o PT tem de ter este cuidado. Lula será a grande liderança das próximas eleições, candidato ele mesmo ou não; Lula já é a grande liderança brasileira no mundo; mas o partido tem que começar, agora, a formar uma ou mais candidaturas alternativas.

Não tem nomes? Tem! Não conheço o partido por dentro para desfiar o rosário; sou filiado mas nunca tive militância interna. Mas sou cidadão interessado, vivi muito a política, converso política, penso política, imagino política, leio e escuto notícias, e sei que o PT tem alternativas.

Só para iniciar e agitar o debate, que considero da mais alta importância, assumo o risco de ser intrometido e inconveniente e cito um exemplo: Celso Amorim, o melhor ministro dos 12 anos de governo do PT, um brasileiro respeitado e admirado em todo o mundo, que sabe muito bem enfrentar um debate nacional.

Bem, há outros, mais diretamente ligados ao partido: Marcio Porchman, Fernando Haddad, Tarso Genro, Fernando Pimentel, cito só para demonstrar que há vários candidatos competentes e potencialmente fortes que, com o apoio de Lula, seriam vitoriosos, desde que preparados desde agora.

Não sou contra Ciro Gomes, muito ao contrário, acho que seria um grande presidente do Brasil. Apoiado pelo Lula, seria imbatível na eleição. O problema é o relacionamento dele com o PT, que será ainda o partido mais forte em 2018.

Acho que a hora é esta, de discutir e preparar candidatos alternativos. O PT fez muita coisa feia, sim, que não podia ter feito; mas também fez muito coisa bonita e boa para os brasileiros, que por isto mesmo gostam dele. E pode ainda fazer muito mais agora, mais amadurecido, vivido, criticado e punido.

Eu creio.

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