Diversificar. Ou não

2014 vai trazer mais 30% de valorização em ações? Eu não sei. O que eu sei é que os pontos positivos não se alteraram e que a maioria dos fatores negativos ficou para trás



Eu adoro janeiro! É o mês das premiações do Globo de Ouro e da nominação para o Oscar. É o mês do pronunciamento do presidente dos Estados Unidos sobre o "Estado da União", e mais uma temporada de resultados de empresas.

Ao olhar para 2013, pude confirmar várias lições que aprendi como investidora e observadora do mercado nos anos anteriores. Não vá contra o FED, ignore os rumores e não lute contra a maré. Aqueles que leem minhas newsletters sabem que eu passei de pessimista a otimista com o mercado acionário, particularmente o americano, em 2012. Naquele ponto a economia americana já estava melhorando, ainda que a passos de tartaruga. Mario Draghi era o novo presidente do Banco Central europeu e Ben Bernanke anunciou QE3 e a Operação Twist. Ainda havia obstáculos tais como as incertezas na economia espanhola e grega, a crise no Chipre, e o aperto fiscal nos EUA derivado do "sequestro". Mas apesar de tudo, a tendência era positiva, pois a ação dos bancos centrais evitou o caos.

Em 2013, a tendência não se alterou, o Banco Central americano continuou a política previamente estabelecida e o mesmo ocorreu na Europa. Ainda havia alguns obstáculos e os que não acreditavam que tudo estava melhorando, ou acreditavam que era uma bolha, continuaram a perder o bonde e a oportunidade de um aumento de 30% em seus ativos.

Chega de falar no que passou. A pergunta é: 2014 vai trazer mais 30% de valorização em ações? Eu não sei. O que eu sei é que os pontos positivos não se alteraram e que a maioria dos fatores negativos ficou para trás.

A economia americana continua melhorando, tanto assim que o FED anunciou uma modesta redução da compra de títulos a partir de janeiro. Ao mesmo tempo, sabendo que ainda existe uma restrição fiscal e que a inflação não é uma ameaça, os juros continuarão inalterados, perto de zero. O farol para a mudança nesta politica será o comportamento do mercado de trabalho e, portanto não devemos esperar alterações significativas em 2014. É interessante notar que o FED deixou a porta aberta para uma volta a compra de títulos nas quantidades anteriores se a situação se deteriorar. No lado fiscal o Congresso fez um acordo para o orçamento que foi aprovado no dia 15 de Janeiro e isto também dá mais estabilidade para o Mercado (quem não se lembra dos efeitos do fechamento do governo em outubro de 2013?).

Portanto, agora temos apenas o debate sobre o aumento de endividamento do governo americano, que deverá ocorrer em fevereiro. Com menos problemas vindo de Washington, com Janet Yellen no comando do FED e a economia indo bem, as chances de mais um ano positivo para o mercado acionário são altas. Vamos ver o que a temporada de resultados nos traz nas próximas semanas. Os resultados do JP Morgan e Wells Fargo no começo desta semana mostraram que embora o financiamento a casa própria tenha declinado, os empréstimos para empresas aumentaram e a inadimplência esta baixa. Como eu disse, eu não sei exatamente o que vai acontecer, mas os sinais são positivos. Mas os indicadores econômicos não são suficientes, é preciso olhar para o quadro mais geral. Quando eu olho para o cenário mundial, e me perdoem se pareço um disco quebrado, os Estados Unidos estão no topo da lista de onde investir. 

Como o resultado é uma média, devo ressaltar que o número referente a ações fora dos Estados Unidos não mostra a discrepância de retorno das outras regiões, por exemplo, os elevados retornos das ações europeias e japonesas, esta ultima causada pela desvalorização do Yen. A economia europeia está melhorando e vai melhorar ainda mais; o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra continuam a manter as taxas de juros baixas. Entretanto a economia europeia como um todo tem muitas limitações e a mais importante é o mercado de trabalho. Se a isto, adicionamos as regulações e o custo da energia, não há motivo para muito entusiasmo.

A média de 23% acima também inclui a América Latina, que teve uma perda de 4% em dólares. O Brasil era o queridinho dos investidores até pouco tempo atrás. Infelizmente, mais uma vez, repetimos a história: parecia que estávamos melhorando até a hora que começamos a piorar. Mais uma vez quase nos tornamos o "país do futuro". O mercado acionário brasileiro está em declínio desde 2010. A inflação em 2013 foi de quase 6%, as exportações estão caindo e o Real se depreciando. No lado fiscal o governo continua fazendo artimanhas para atingir as metas e satisfazer as agências de risco. Eu não espero muito de 2014 até porque o Brasil para agora para esperar o Carnaval, depois para de novo para a Copa do Mundo e depois para as eleições.

Muita gente gosta da China e acredita que será a líder da economia mundial nos próximos anos ou década. Eu não acredito no sistema politico ou econômico chinês, e não acredito nos números oficiais. Como consequência eu prefiro me beneficiar de um possível crescimento chinês através das empresas americanas que investem ou vendem para os chineses. Esta semana a APPLE anunciou um acordo com a China Mobile e vai começar a oferecer iPhone para 760 milhões de assinantes, o maior pool de assinantes do mundo.

Aliás, parece que os chineses também preferem investir nos EUA e o Tesouro Americano acabou de anunciar que houve um aumento no volume de títulos do tesouro Americano comprador pelos chineses.

Olhar o cenário mundial é importante para decidir onde diversificar, regra de ouro de qualquer investidor. Entretanto ainda não encontrei uma razão para diversificar. Pelas razões acima, não me entusiasmo com a China ou América Latina; a Europa pode ser uma boa opção. Há também o Japão e como uma fotografia vale mais do que mil palavras, olhe para o quadro abaixo. Eu preciso fazer algum comentário?

É claro que há oportunidades no resto do mundo; mas se você não é uma grande instituição, com escritórios pelo mundo, é simplesmente muito difícil e muito arriscado fazer escolhas.

Finalmente, como já mencionei em outras newsletters, há uma revolução energética acontecendo nos EUA: esta revolução reduzirá os custos de energia e como consequência haverá um renascimento industrial, aumentando a competitividade do País.

Para se ter uma ideia mais concreta, o quadro abaixo, produzido pela BP Statistical Review of World Energy mostra o preço do gas natural em dólares por milhões de BTU, nos EUA e em outros países.

É notável não somente o aumento dos custos da maioria dos países desenvolvidos, mas o declínio do preço nos EUA.
Para finalizar, continuo otimista com o mercado acionário americano embora os primeiros dias de Janeiro não tenham sido muito positivos por causa do impacto das noticias da China, vendas a varejo e Mercado de trabalho. Mas acredito que mesmo sendo conservador é possível que o S&P aumente mais 8% a 10%, o que é muito melhor do que 3% em renda fixa. Se o cenário mudar, muda-se a estratégia, mas por enquanto vamos aproveitar a onda.

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