Do confinamento ao autoconhecimento

Sei que vai parecer conversa de masoquista ou lunático falar que nesses dias em que seremos obrigados a parar, à revelia, possam nos trazer autoconhecimento e enriquecimento interior

www.brasil247.com - Viajantes usam máscaras no aeroporto de Guarulhos.
Viajantes usam máscaras no aeroporto de Guarulhos. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)


Sei que vai parecer conversa de masoquista ou lunático falar que nesses dias em que seremos obrigados a parar, à revelia, possam nos trazer autoconhecimento e  enriquecimento interior. Certamente que não estou tratando daquelas criaturas que sequer percebem a gravidade do que está acontecendo no Brasil e no mundo: os neófitos do coisa ruim. Esses, como seres acéfalos, gosmentos e fétidos do esgoto que são, sequer se reconhecem como seres humanos ou têm empatia por quem quer que seja.  A esperança que me cabe é nos seres, ainda humanos, que refletem sobre a vida e dela fazem uma limonada com os limões do viver, aqueles resilientes de alma. Mesmo os que têm uma sensibilidade ainda embrionária conseguem tal proeza. Esses sim, sairão da quarentena- que é quinzena - bem melhores. 

Nos primeiros dias, nosso corpo ainda automatizado e entorpecido pelo horário de acordar,  pelos trabalhos a fazer, pelo deslocamento nos engarrafamentos sem fim, pelo estresse de quem vive a correr, vai se ressentir. Vai sofrer, se angustiar, rodar feito barata tonta e sem asas nos seus espaços, vai  se empanturrar com guloseimas calóricas (como eu fiz agora e já estou arrependida) para suportar essa desaceleração, mas é a partir daí que existe a possibilidade do reencontro tão íntimo, quanto necessário, conosco. 

É o momento de soltar aquele ser escondido há muito tempo dentro de  nós, devido aos excessos de obrigações, para que ele saia da caverna e volte a procurar a sua essência. A essência do menino feliz que foi; a essência da criança esperançosa, engraçada e falante que se calou; a essência da menina que sonhava em ganhar o mundo fazendo arte e que, timidamente, nunca expôs seu talento; a essência do moleque que mesmo vivendo modestamente, sonhava em SER; a essência daquele  que correu a vida toda atrás do ganha pão e se descobriu sem pão e sem nada. 

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É o instante de estarmos com as nossa crianças, que vivem de um lado a outro conosco e que subsistem ao nosso cotidiano, tal qual não fumantes que aspiram a fumaça tóxica da escolha do vizinho. Elas, apenas, nos querem mais perto.  É a hora de esticarmos a mão aos nossos velhos que, como nossos pequenos, assistem a tudo em meio ao desamparo afetivo. É o tempo da metamorfose humana, mas não sem dor, como toda metamorfose.

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Agora, reconheço que aqueles que nunca pararam consigo, irão sofrer. Pois nos reencontrarmos custa caro, dói, desassossega, nos deprime, nos tira da zona de conforto, sobretudo quando a causa do ensimesmamento é uma pandemia gravíssima como o Covid-19, entretanto não esqueçamos dos tais “limões e da limonada”, como meta a se cumprir nesses dias. A pandemia por que passamos exerce um papel relevante para compreendermos que, anônimos ou não, Marias ou Josés, ricos ou pobres, somos peça fundamental no controle e na extinção do coronavírus. Como somos importantes! Mas não sozinhos! Obviamente que se faz  necessário um governo responsável e disposto a estar ao lado da população, o que infelizmente não é o nosso caso. 

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Assim, tão necessário como nos enxergarmos interiormente é lutarmos pelos outros, bem mais vulneráveis socialmente ; os que não têm emprego e não podem se reencontrar intimamente ou estar em casa com as crianças; os que não têm como alimentar os filhos, pois a maioria da alimentação dos pequenos é feita na escola e as instituições escolares estão em quarentena; os que não têm lugar para ser atendido caso seja infectado; os que moram nas ruas e correm riscos, dos mais variados, permanentemente; e aquele que já arfando, assiste a tudo isso e roga a deus para que o leve dessa para melhor. Por tudo isso e por todos esses, fiquemos em casa. 

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Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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