Do Fora Serra ao Fora Bolsonaro

Para derrotar os fascistas, para gritar Fora Bolsonaro é preciso fazer como os estudantes de 2007 fizeram: ocupar tudo, atropelar essa esquerda que a direita gosta e colocar milhares de pessoas nas ruas

Do Fora Serra ao Fora Bolsonaro
Do Fora Serra ao Fora Bolsonaro (Foto: Adriano Machado - Reuters)

No início de 2007, o então governador de São Paulo, José Serra do PSDB atacou a autonomia universitária das universidades públicas garantida pela constituição. Por alguns decretos ele criou uma secretaria estadual que submeteria todos os projetos das universidades a aprovação do governo. Um dos ataques mais duros realizados às universidades desde então.

Logo em março daquele ano, os estudantes da Unicamp ocuparam a reitoria contra esses ataques. Pela primeira vez, desde muito tempo surgia um movimento estudantil independente, não submetido ao movimento de professores. Os estudantes ocuparam a reitoria não por motivos sindicais-particulares, embora o ataque de Serra retirava obviamente alguns milhões de cada universidade, mas era um movimento eminentemente político. 

A ocupação iniciou na segunda-feira, dia 26, com a participação de centenas de estudantes. Lembro-me como se fosse hoje, quarta de madrugada, mais de 2h passadas. Centenas de estudantes aglomerados no Conselho Universitário, discutindo tudo. Entre as resoluções: FORA SERRA! O movimento estudantil se levantava para derrubar o governador por ter atacado a constituição, atacado os direitos democráticos da população, contra a censura à liberdade de expressão tão fundamental à ciência, ao pensamento.

Na quinta às 6h, Barão Geraldo, o distrito que rodeia o campus amanheceu com pichações por todos os lugares: Fora Serra! Na entrada da Unicamp, Fora Serra!

Em maio, foi a vez da USP. Centenas de estudantes ocuparam a reitoria e realizaram o maior feito do movimento estudantil das últimas décadas. Derrotou o Estadão, o governo, a direita fascista uspiana, derrotou a Polícia Militar (uma das mais perigosas do mundo) por 51 dias! 

Para isso, os estudantes tiveram que derrotar o Psol e PSTU em dezenas de assembleias. O que na Unicamp não foi possível conseguir por mais de 5 dias (na sexta ela terminou com a ação coordenada do DCE e "oposição"- PSTU e então LER-QI agora MRT).

Já o Fora Serra de 2007 foi levantado pelo movimento contra essa esquerda pequeno-burguesa.

Muito interessante ver como esses mesmos grupos estão se comportando agora, diante dos fascistas e militares que assumiram o poder do país através de um golpe de estado, rasgaram todos os direitos democráticos, rasgaram a CLT, estão implementado um estado policial abertamente fascista onde o cidadão tem que provar a sua honestidade contra o Estado monstruoso, onde o policial ou militar pode matar sob fortes emoções. Fascistas que usam o Estado para defender a ditadura militar de 64, para retirar tudo do povo brasileiro para entregar para os banqueiros norte-americanos. Tudo isso está ocorrendo e essa mesma esquerda é contra levantar o Fora Bolsonaro! (se não, seríamos iguais a aécios, diz o calhorda Boulos).

Ao mesmo tempo que não lutaram contra o golpe, agora defendem os golpistas como legítimos. E deveríamos ficar aqui sentados esperando eles destruírem tudo até 2022, para quem sabe dis putar uma eleição.

O PSTU escancara o absurdo. Esse que durante o golpe, se alinhou ao imperialismo e defendeu o Fora Dilma, Fora PT (e até agora defendem a prisão de Lula e de mais petistas), através do Fora Todos, parou de defender o tal fora todos quando Bolsonaro assumiu.

Esses mesmos PSOL-PSTU fizeram de tudo para derrotar os estudantes da USP em 2007. Numa assembleia histórica que reuniu milhares de estudantes, Zé Maria pediu recontagem quando a vitória mais uma vez era a favor da ocupação. Pediu que o plenário se dividisse fisicamente (como fez o profeta diante do mar vermelho) para que pudesse ver aquilo que não queriam crer. 4/5 dos milhares de estudantes a favor de um lado, Zé Maria, PSTU e PSOL do outro lado, contra.

E agora são contra o Fora Bolsonaro, e dizem a todos os cantos que esse governo fascista-militar-milicano golpista é legítimo.

Vê-se que quando a direita ataca a população, esse setor de dentro da esquerda se apresenta como tropa de choque interna.

Para derrotar os golpistas, para derrotar os fascistas, para libertar Lula e todos os presos políticos, para garantir a liberdade de culto, de ciência, de arte, de qualquer forma de expressão, para garantir a sobrevivência de milhões de trabalhadores que estão sendo jogados para a morte lenta da fome. Para derrotar os fascistas, para gritar Fora Bolsonaro é preciso fazer como os estudantes de 2007 fizeram: ocupar tudo, atropelar essa esquerda que a direita gosta e colocar milhares de pessoas nas ruas.

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