Ricardo Mezavila avatar

Ricardo Mezavila

Escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro.

469 artigos

AI Gemini

Resumo premium do artigo

Exclusivo para assinantes

Síntese jornalística com foco no essencial, em segundos, para leitura rápida e objetiva.

Fazer login
HOME > blog

Do jeito que os fascistas gostam

Vivemos o racismo institucional que vigia, persegue e extermina a festa onde dançam o preto e o branco pobre, mas que tolera as raves onde "a noite vai ser boa, de tudo vai rolar', em boates frequentadas por jovens da classe média e alta. O massacre de Paraisópolis é mais um para ilustrar o déficit de humanidade que se espalhou pelo país desde a eleição de um miliciano representante do fascismo.

Do jeito que os fascistas gostam (Foto: @lucasport01 / Jornalista Livres)

Vivemos tempos sombrios onde a banalização contra tudo o que significa civilização está internalizada e, como mostraram os policiais militares do Estado de São Paulo, materializada.

Meninos e meninas pobres da Comunidade de Paraisópolis foram tratados como o gado que é empurrado para o matadouro. Encurralados em um beco, foram barbarizados pelo Estado que deveria protege-los.

Nove mortos de maneira desumana e desalmada; nove jovens caíram porque divertiam-se em uma das raras formas de diversão como já foram o Jongo e a Capoeira na escravidão.

Na batida do discriminado Funk, que incomoda pela autenticidade de como representa e exterioriza a condição dos que vivem excluídos na linha da pobreza, mais um crime foi cometido com a chancela de parte da sociedade branca e racista.

A ‘ação’ dos policiais foi uma ‘resposta’ à morte de um sargento baleado no entorno da Favela há um mês. “A polícia é assim: quando morre um policial, a polícia toda para para resolver isso, mas quando morre um favelado, nem liga”, disse um morador.

Desde a morte do sargento em novembro, as operações da PM no local passaram a ser diárias, com bloqueios de ruas, revistas de pessoas, entradas em casas e comércios, além de ameaças. “Vamos tocar o terror em Paraisópolis” passou a ser um refrão usado por muitos deles.

Algumas pessoas se manifestaram favoráveis à ação da polícia, como Roger Moreira que escreveu em sua conta no Twitter: “Reparem que o policial é agredido primeiro. Mas a Globo omite esse fato”, sobre reportagem da Globo que, segundo o ex-cantor e dublê de comediante, a emissora teria omitido suposta agressão dos moradores a um policial, o que não justificaria a violência.

Vivemos o racismo institucional que vigia, persegue e extermina a festa onde dançam o preto e o branco pobre, mas que tolera as raves onde "a noite vai ser boa, de tudo vai rolar', em boates frequentadas por jovens da classe média e alta. O massacre de Paraisópolis é mais um para ilustrar o déficit de humanidade que se espalhou pelo país desde a eleição de um miliciano representante do fascismo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.