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Monge Sato

Foi por 25 anos regente do Templo Shin-Budista da Terra Pura de Brasília. Economista e bacharel em Direito. Foi assessor de Salvador Allende e representou o budismo no lançamento da chapa Lula-Alckmin

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Do poder à compaixão

Com o crescimento das mortes e casos ligados à pandemia, aumentou a polêmica sobre o auxílio emergencial que o Congresso Nacional aprovou para os que terão suas rendas prejudicadas. Para uns, o benefício deve ser temporário; para outros, permanente. No fundo, o papel do Estado.

Com o crescimento das mortes e casos ligados à pandemia, aumentou a polêmica sobre o auxílio emergencial que o Congresso Nacional aprovou para os que terão suas rendas prejudicadas. Para uns, o benefício deve ser temporário; para outros, permanente. 

No fundo, o papel do Estado.

O ser-humano sempre fez cálculos de escassez e privilégio, esquecendo-se da abundância que a ciência e a tecnologia propiciam. Mais vidas, mais recuperação da economia, pois são pessoas que produzem e dão significado à riqueza. Mais vidas, mais visões para uma saída melhor. Mais do que nunca, precisamos difundir a concepção da Terra Pura como utopia que dá sentido à Vida. Nela reside todo o bem que uma pessoa pode desejar e receber da outra.

Como nos lembrou o líder indígena Ailton Krenak, "o modo de funcionamento da humanidade entrou em crise". Concordo com ele: "se voltarmos à chamada 'normalidade', não valeram de nada as mortes de milhares de pessoas". Krenak nos fala do que no Shin-Budismo chamamos Outro Poder, que nos permitiu ganhar tempo para aprender sobre a doença. Os indígenas foram o único povo que teve a experiência da Terra Pura, por isso sobreviveu ao ritual capitalista.  

Temos a chance de nos reconciliar com a Natureza, com o mundo em que vivemos e com a nossa humanidade real, não a ilusão colonialista. Façamos nossa parte, trocando a perspectiva do poder pela da compaixão. Se algo deve continuar é esta renda básica, precisaremos do Estado que cria condições favoráveis e estímulos positivos.

Se quiser conversar sobre as incertezas do contexto, pode me enviar mensagem para estabelecermos um diálogo sobre a natureza desta crise e como lidar com ela. Namandabu. 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.