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Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

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Do que eu mais gostei de ler ou reler neste ano

Eu leio tudo o que posso e escrevo quando consigo

Do que eu mais gostei de ler ou reler neste ano (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Eu leio tudo o que posso e escrevo quando consigo. Não faço a lista do que li, mas peguei na estante alguns livros de que mais gostei de ler ou reler neste ano. Porque há livros que eu releio sempre. Vou mencionar quais.Dentre os que mais gosto de reler, está sempre Orientalismo, de Edward Said. Eu estava olhando seus livros na livraria em frente à Universidade de Columbia quando, ao olhar para o lado, estava simplesmente ele — Edward Said. Fomos até seu gabinete na universidade e ficamos amigos; trocamos correspondência até sua morte.

Orientalismo eu considero um livro admirável: na sua ideia central, de crítica do eurocentrismo, mas também na sua feitura, pelos exemplos extraordinários que ele recolhe da sua experiência de professor de teoria da literatura. É dos livros mais bem logrados que eu conheço.

O Oriente como invenção do Ocidente — o subtítulo — por si só já diz tudo o que o livro desenvolve. O Oriente é o que não é o Ocidente, o outro inventado pelo Ocidente. Genial e simples ao mesmo tempo, como tudo o que é genial.Eu ia trazê-lo ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre; ele havia topado, quando de repente ficou doente e não chegou a vir, infelizmente.As novas rotas da seda, do que eu considero o primeiro grande historiador do século XXI, o inglês Peter Frankopan, é outra leitura que considero admirável, que me ajudou a descobrir e aprofundar tantas coisas que seus livros anteriores — todos publicados no Brasil, O coração do mundo e Uma nova história universal — já me haviam proporcionado.

Ele também vinha ao Brasil, quando a pandemia impediu. Ainda penso em tentar trazê-lo. É dos maiores intelectuais deste século, sem dúvida alguma, cujos livros eu sempre recomendo a todos.Uma das leituras de que mais gosto sobre o Brasil contemporâneo é o livro de Ladislau Dowbor, A era do capital improdutivo, que tem como subtítulo: A nova arquitetura do poder: dominação financeira, sequestro da democracia e destruição do futuro.

O livro capta o essencial da natureza atual do capitalismo no Brasil, incluindo os paraísos fiscais, a apropriação do excedente social pelo capital financeiro, entre outros aspectos. É uma das leituras que considero fundamentais para a compreensão do Brasil contemporâneo.Para completar esta breve lista, incluo Guerras híbridas, do grande pensador russo contemporâneo Andrew Korybko, cujo subtítulo é: Das revoluções coloridas aos golpes.Um livro que sistematiza as novas modalidades de ação do imperialismo norte-americano no continente, de maneira muito clara e organizada.Várias outras leituras poderiam ser incluídas, mas selecionei essas quatro como algumas das minhas leituras fundamentais neste 2025.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.