Dodge: o golpe veste beca e tem olhos azuis

Contrariando uma tradição de 14 anos de nomeação do primeiro colocado na lista tríplice, feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), o presidente golpista Michel Temer a escolheu, mesmo que ela não figurasse no topo. A fruta de Temer não caiu longe do pé. Dodge assumiu o controle do golpe proferido pelo seu nomeador

Dodge: o golpe veste beca e tem olhos azuis
Dodge: o golpe veste beca e tem olhos azuis (Foto: José Cruz - ABR)

Dizem que um fruto não cai muito longe da árvore. Essa máxima serviu muito bem para a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, em ao menos 3 momentos de sua vida. Filha de um membro do Ministério Público, José Rodrigo Ferreira, foi na instituição com status de poder da República, que Raquel construiu sua carreira, até que chegasse, de forma controversa, ao topo. A controvérsia, como bem nos lembramos, se deu exatamente no momento de sua indicação. Contrariando uma tradição de 14 anos de nomeação do primeiro colocado na lista tríplice, feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), o presidente golpista Michel Temer a escolheu, mesmo que ela não figurasse no topo. A fruta de Temer não caiu longe do pé. Dodge assumiu o controle do golpe proferido pelo seu nomeador.

Enquanto arquiva denúncias de aliados do governo, como José Serra, Eliseu Padilha e Aluysio Nunes, Raquel não disfarça que usa seu cargo para, deliberadamente, perseguir a candidatura de Lula. Foram diversos atos, sempre na mesma direção, que não deixam dúvidas de sua motivação ideológica. Se o próprio Ministério Público, atuando na força tarefa da Lava Jato, com Dallagnol e congêneres, já foram o braço forte do golpe, até o momento da prisão de Lula, a atuação de sua chefe tem sido ainda mais prejudicial para a democracia no país, minando o direito de escolha do eleitor.

Atuando como chefe do Ministério Público Eleitoral, Raquel Dodge, falou, por ignorância ou má intenção, uma inverdade, durante o julgamento do registro da candidatura de Lula, no Tribunal Superior Eleitoral. Em sua sustentação, a procuradora afirmou que o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos não cumpriu o rito necessário para ter validade em território nacional (quando cumpriu na promulgação do Decreto Legislativo n. 266/91) . Em momento posterior, alegou que a própria decisão do comitê da ONU teria que passar, novamente, pelo crivo das casas e promulgação do executivo, sem citar, contudo, o Decreto Legislativo 311/2009, que, já tendo passado pelos trâmites, dispensa novo processo legislativo.  

Ademais, uma nova tramitação impediria a participação de Lula, pela demora no processo e proximidade das eleições, anulando por completo a decisão do comitê da ONU, que foi proferida em caráter liminar, justamente para garantir a participação do candidato petista. Mas a toda poderosa Raquel Dodge não parou por aí. A PGR solicitou à Justiça Eleitoral que o PT devolvesse a parte do fundo partidário a que tem direito. A terceira fase do golpe precisa impedir um projeto popular de voltar ao poder.

Beca é a vestimenta talar dos membros do MP, assim como a toga é para os juízes. A beca de Raquel serviu muito bem ao golpe, assim como seus olhos azuis  conferiram um ar sofisticado, quase internacional. O golpe agora fala inglês, estudou em Harvard, é casada com um norte-americano e tem os filhos morando nos Estados Unidos. Pela terceira vez, o fruto cai perto da árvore. O golpe que ela representa também tem suas raízes ali, na terra do Tio Sam.

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