Donald Trump será deposto?
"Donald Trump age como ditador que despreza a democracia, viola a Constituição sem que nada aconteça"
Entre a 25ª Emenda e o impeachment, a deposição de Trump é juridicamente possível, mas politicamente remota — o que não impede que sua guerra contra o Irã o empurre para uma derrota eleitoral anunciada
“O corpo está com o Rei, porém o Rei não está com o corpo” (William Shakespeare, Hamlet).
1.
Ao ameaçar extinguir a civilização persa do Irã, Donald Trump ameaçou um genocídio, acusação até então reservada a Israel pelo massacre de mais de 60 mil civis palestinos, dos quais cerca de 20 mil crianças. Donald Trump aceitou a proposta do Paquistão de adiar por duas semanas esse massacre da civilização do Irã que tornaria os Estados Unidos um país definitivamente bárbaro.
Donald Trump age como ditador que despreza a democracia, viola a Constituição sem que nada aconteça. O Judiciário nos EUA tradicionalmente entende que assuntos militares são da alçada do Executivo e do Congresso.
A demissão de militares de alta patente, ocupando cargos de grande importância, alimentou a especulação de que Donald Trump poderia sofrer deposição ou impeachment. Além disso, a saúde mental de Donald Trump voltou a ser questionada nos Estados Unidos. Está aumentando o movimento para seu afastamento, abrindo caminho para assumir o vice presidente D. J. Vance que é contra a guerra no Irã.
Vejam o que diz o jornal Le Monde de 8 de abril de 2026: “O presidente dos Estados Unidos é um louco: a escalada verbal de Donald Trump alimenta questionamentos sobre sua saúde mental. Parlamentares do Congresso, chocados com a linguagem vulgar e genocida empregada pelo ocupante da Casa Branca, começam a evocar a 25ª. Emenda da Constituição, que permite declarar um chefe de Estado inapto e transferir seus poderes ao vice-presidente”.
A 25a. Emenda à Constituição dos EUA foi criada para lidar com incapacidade física ou mental do presidente. O dispositivo mais relevante é a Seção 4, que permite ao vice-presidente, junto com a maioria do gabinete, declarar o presidente “incapaz de exercer os poderes e deveres do cargo”.
O Congresso decide: são necessários 2/3 em ambas as casas para manter o afastamento. A via da 25ª. Emenda é juridicamente possível, mas politicamente remota, salvo em caso de deterioração evidente e consensual da capacidade do presidente. No caso de impeachment, a Câmara dos Representantes aprova por maioria simples. O Senado julga, exigindo 2/3 dos votos para condenação e remoção. Donald Trump já sofreu dois impeachments (2019 e 2021), ambos sem condenação no Senado.
2.
Depois das eleições de novembro, a viabilidade de um novo impeachment depende diretamente da correlação de forças. Se a oposição controlar a Câmara, aumenta a probabilidade de abertura de processo, especialmente se houver investigações, denúncias ou crises políticas relevantes. No Senado, a barreira dos 2/3 continua sendo o principal obstáculo.
Quanto à acusação de loucura, sua estupidez, maior que a inteligência, pode ser a causa de seu comportamento tresloucado. Louco ou não, Donald Trump caiu na armadilha que ele próprio montou por pressão de Israel e do lobby sionista: abriu guerra contra o Irã, o que só interessa a Israel e não interessa nada aos Estados Unidos.
Donald Trump tem duas opções e ambas significam derrota política. Se escalar a guerra e invadir com tropas o Irã, milhares de soldados americanos irão morrer e sua popularidade vai despencar ainda mais, perdendo condições de continuar no poder. Se recuar, será considerado derrotado. E ele não encontrou – pelo menos ainda – uma saída honrosa.
E, se continuar bombardeando o Irã, o Irã continuará bombardeando os países árabes do Golfo aliados dos EUA, com bases militares norte-americanas. Esses países verão sua economia destruída, deixarão de ser o paraíso do turismo e dos investimentos, o que já começou a ocorrer. Pode-se dizer que. literalmente, irão à falência.
Outro grande trunfo do Irã é o controle que mantém sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa de 20 a 25% do petróleo do mundo. A disparada nos preços do petróleo gera inflação no mundo todo, causando crise econômica global e redução drástica no apoio doméstico do governo de Donald Trump. A guerra no Irã, com ataques a infraestruturas estratégicas e o bloqueio do Estreito de Ormuz, provocou uma disparada nos preços do petróleo, seguida de baixas e novas elevações, aproximando o barril de US$ 120, gerando risco de crise energética global e inflação, especialmente com impacto nos combustíveis.
Segundo o Paquistão que mediou a trégua, o Líbano faz parte do acordo, mas Israel ignora e aumentou o bombardeio do Líbano, deixando 254 mortos e mais de mil feridos, após o anúncio de cessar fogo. O presidente do Irã diz que o cessar fogo foi rompido com ataque a ilhas iranianas. Após o ataque de Israel no Líbano, o Irã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz.
Com perdas significativas na MAGA, seu próprio movimento de apoio, Donald Trump desce a ladeira e alimenta a possibilidade, embora remota, de ser destituído por aplicação da 25ª. emenda da Constituição dos Estados Unidos ou de um futuro impeachment. Quanto antes sair da guerra, melhor para ele. Mas isso abre conflitos com Israel que, segundo especulações não confirmadas, teria documentos preciosos sobre o envolvimento de Donald Trump nos arquivos de pedofilia de Jeffrey Epstein. De qualquer forma, poderia perder o apoio do lobby sionista nos Estados Unidos.
Assim, entre a Cruz e a Caldeirinha, Donald Trump caminha para uma derrota eleitoral nas eleições de mid term de novembro próximo. Conforme o resultado, isso poderia abrir caminho para o impeachment. Como já assinalado, dificilmente um impeachment seria aprovado no Senado, mas de qualquer forma Donald Trump seria no mínimo obrigado a mudar suas ações e sua postura de Rei do mundo que, lembrando William Shakespeare, não estaria mais em seu corpo.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



