Dória é outsider que faz política e gestor que abandona o posto

Como bem disse Fernando Henrique Cardoso, Dória não mudou nada em São Paulo, só faz sucesso no celular. Mas esse marketing barato não funciona com todo mundo e nem no Brasil todo. Enquanto Lula foi recebido na Bahia nos braços do povo, João Dória acabou provando um pouco das consequências do ódio partidário que vem promovendo

João Doria, flores, protesto, ciclistas .2
João Doria, flores, protesto, ciclistas .2 (Foto: Guilherme Coutinho)

João Dória repete à exaustão o bordão que lhe ajudou a ser eleito na terra da garoa: “Eu não sou político, sou um gestor”.  O prefeito insiste em tentar se distanciar da casta tradicional de políticos, que se desgastou no país nos últimos anos. Mas a frase de efeito, assim como a maioria de tudo que se relaciona ao nome do prefeito, é puro marketing. Dória faz política (na pior concepção da palavra) em tempo integral, e claramente está mais interessado em uma possível candidatura do que em seu atual mandato.  Dória é mais do mesmo da política tucana e é tão inovador na política quanto uma máquina de escrever em uma redação. 

A politicagem de Dória não é aleatória: o ilustre paulistano é especialista em marketing, inclusive o político.  Ele não perde uma chance de falar mal do PT, de Dilma (a quem chamou de anta) e se orgulha do título que lhe concedido por um periódico semanal de ser o “anti-Lula”. Dória sabe que Lula, a despeito de liderar as pesquisas em todos os cenários para 2018, também possui um alto grau de rejeição, por uma determinada parcela da sociedade. Essa é a velha política: Dória quer angariar os votos dos que rejeitam o PT e ao mesmo tempo denegrir aquele que ele considera ser seu maior adversário político. Não há nada de pessoal nas críticas. it's just business.

Dória também sabe fazer populismo. Adora se fantasiar para simular um carisma que não possui. Beira o ridículo o mauricinho se vestindo de gari e se auto intitulando “João trabalhador” para, de forma vã, tentar se aproximar de uma parcela da população que jamais chegará ao menos perto de sua mansão no Jardim Europa. Dória também se comuna com a mais velha e podre política desse país: apoiou expressamente o presidente Michel Temer e chegou a comemorar publicamente a absolvição do peemedebista na vergonhosa votação de admissibilidade dos crimes de corrupção, realizada pela Câmara dos Deputados. 

O prefeito de plástico se diz um gestor da cidade de São Paulo. Mas Dória está mais preocupado em viajar para fazer campanha de sua eventual candidatura ao Planalto do que ficar em seu posto. Em apenas sete meses de gestão, Dória já passou 42 dias em viagem. Enquanto isso, seus projetos andam fracassando na maior cidade do país: a cidade continua suja, com mais cracolândias e com mais acidentes fatais em suas rodovias.

Como bem disse Fernando Henrique Cardoso, Dória não mudou nada em São Paulo, só faz sucesso no celular. Mas esse marketing barato não funciona com todo mundo e nem no Brasil todo. Enquanto Lula foi recebido na Bahia nos braços do povo, João Dória acabou provando um pouco das consequências do ódio partidário que vem promovendo. Desse jeito um ovo só vai ser pouco. Acelera. 

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