Doria e Witzel: a que ponto chegamos!

"Os dois foram eleitos com o apoio explícito do clã Bolsonaro e aproveitando a maré de boçalidade que encobriu o país. Depois de eleitos, e dando claras mostras de ingratidão, os dois foram se afastando de Jair Messias", lembra Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Divulgação)

Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

Até agora, Wilson Witzel era conhecido principalmente pela sua política genocida de segurança pública. E João Doria, pela sua empáfia de almofadinha recheada de botox.

Os dois foram eleitos com o apoio explícito do clã Bolsonaro e aproveitando a maré de boçalidade que encobriu o país. 

No caso específico de Witzel, um obscuro e desconhecido juiz, um professor universitário que era corrigido pelos alunos, esse apoio foi reforçado na reta final da campanha pelas sanguinárias milícias que controlam quase quarenta por cento da região metropolitana do Rio. 

Flavio Bolsonaro, o agora senador que integra o trio de hidrófobos que compõe com Jair Messias o quarteto fora de si, foi o elo desse apoio específico, graças à sua intimidade com milicianos.

Depois de eleitos, e dando claras mostras de ingratidão, os dois foram se afastando de Jair Messias. 

Primeiro, sem muito alarde. Mas conforme se multiplicavam as mostras da boçalidade presidencial, com algum ruído até romperem definitivamente qualquer laço. 

Dória, numa esclarecedora demonstração do seu caráter, chegou a negar o óbvio: a importância do slogan Bolsodória, inventando pelo marqueteiro de turno em sua campanha e estampado em milhares de camisetas distribuídas à plebe ignara e principalmente ignorante.

Agora, tem mais: tanto um como o outro lançaram suas pré candidaturas a presidente em 2022. Além da ruptura, rivalidade direta.

Pois bem: para mostrar até que ponto de absurdo chegou este país náufrago presidido por uma aberração ambulante, é justamente essa dupla do barulho que está dando lições de combate ao coronavírus.

Aliás, Jair Messias desobedece até mesmo o que seu próprio ministro da Saúde recomenda.  

Confinado em Petrópolis, relembro a sabedoria da dona Laura, minha petropolitana avó paterna: ela me dizia, na infância, que neste mundo existe remédio para tudo. Há uns sessenta anos, reforçava: até para o câncer inventarão o remédio algum dia. 

Uma coisa, porém, seria incurável para sempre: a imbecilidade.

Jair Messias é a melhor prova de que minha avó Laura tinha plena razão. Aqui no Rio, em menos de 24 horas os casos de contágio comprovado aumentaram alucinantes 60%.  

Medidas mais do que recomendadas em todo o mundo, como determinar o chamado isolamento social (confinamento, pois) são duramente criticadas pelo presidente paspalhão. Que, além do mais, lança determinações contrárias não apenas a medidas adotadas pela dupla, mas à própria defesa de milhões de brasileiros.   

Ou seja, os dois governadores de trajetória e peso moral insignificantes não fazem mais que o óbvio obrigatório, enquanto Jair Messias critica em vez de levar a tal gripezinha que já matou milhares e milhares de pessoas mundo afora a sério.

A que ponto chegamos: apoiar essa dupla medíocre diante das críticas e medidas imbecis do desatinado que nos preside! 

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