Dória, o oportunista

João Dória é o legítimo lobo na pele de cordeiro. O lobo que chama os professores de preguiçosos, que trata os funcionários públicos com truculência da Polícia Militar. Tal como um vírus ou bactéria oportunista, Dória aproveita o pânico e histeria coletiva para se mostrar como a salvação. Mas não se esqueça: Dória é tão perigoso quanto esses que estão aí

(Foto: Reuters)
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Em tempos de coronavírus, é preciso que nossa imunidade esteja bem. Além de alimentação balanceada e hidratação, a memória política deve estar igualmente em dia.

Em tempos de pandemia, precisamos ter discernimento sobre o que certos políticos andam fazendo. Atentemos ao que o playboy neoliberal, João Dória (PSDB), apoiador do “Estado Mínimo”, e um dos responsáveis pelo caos que vivemos – apoiando inclusive o GOLPE de 2016 e a eleição de Bolsonaro, ainda que hoje tente se desvincular da imagem dele.

Dono de uma oratória impecável, sua figura pomposa e fala firme, Dória começa desde já a traçar sua campanha eleitoral para a presidência. Vindo a público em meio a crise da saúde, tenta convencer as pessoas – e consegue! – de que ele é um gestor competente, que peita – só agora – o desgastado e incompetente presidente Bolsonaro – que volto a dizer, era apoiado pelo mesmo, bastando lembrar do “BolsoDória”.

Não podemos negar que Dória é inteligente e calculista, mas também não podemos esquecer que é o mesmo sujeito que apoia o desmonte do Estado – desde prefeito, e agora como governador. João Dória é o responsável direto pelo desmonte do SUS em São Paulo. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Secretaria de Estado da Saúde (SES) reduziu 2,4 mil profissionais concursados de seu quadro por ano, sendo que atualmente há um déficit de funcionários da saúde no estado de quase 56 mil profissionais. E o reflexo será sentido ainda mais agora durante os casos de coronavírus. O tucano Dória quer fazer sua imagem de líder, quer mostrar segurança e confiabilidade, mas esquece de mostrar a realidade do Saúde em São Paulo: ambiente físico precário, falta de equipamentos, jornada de trabalho desumana, desvalorização dos profissionais da área.

A fatídica Reforma da Previdência que aprovou, reduzirá de 1% a 5% o dos funcionários públicos. E para os profissionais da saúde, ainda impõem uma reavaliação do adicional de insalubridade trabalhadores da saúde, que pode provocar uma redução salarial de mais de até R$ 700. A própria Emenda Constitucional 95, que impõe congelamentos de recursos na área da saúde, teve apoio de Dória, o que deixou de destinar R$ 20 bilhões para a Saúde.

Dória sancionou, por exemplo, a lei 435/2019, de autoria da golpista Janaína Paschoal (PSL), permitindo maior número de cesáreas ao invés do parto normal, indo contra as indicações médicas. Vale ressaltar que o Brasil é o segundo país que realiza mais cesáreas no mundo (dados do Ministério da Saúde apontam 55,6% dos nascimentos, enquanto que a recomendação internacional é de no máximo 15%), o que promove superlotação nas maternidades, maior casos de complicações na saúde da mãe e do bebê, altas taxas de infecção, hemorragia e até mortalidade maternal, além de sobrecarregar leitos de UTI.

Ao final de 2019, João Dória tentou liquidar com o Centro de Referência e Treinamento (CRT) DST/AIDS de São Paulo, o que prejudicaria a população assistida.

Dória é o legítimo lobo na pele de cordeiro. O lobo que chama os professores de preguiçosos, que trata os funcionários públicos com truculência da Polícia Militar. Tal como um vírus ou bactéria oportunista, Dória aproveita o pânico e histeria coletiva para se mostrar como a salvação. Mas não se esqueça: Dória é tão perigoso quanto esses que estão aí.

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