Dossiema - parte 1
A filha da puta da ema está morta! – essa foi a primeira coisa que vi quando recuperei a consciência
A filha da puta da ema está morta! – essa foi a primeira coisa que vi quando recuperei a consciência.
Quer dizer a segunda. A primeira foi a cara do Peçanha perguntando se eu estava bem.
Pergunta estúpida, depois de ser atacado por uma ave desgraçada que me bicou até eu desmaiar, como eu poderia estar bem?
Mas a miserável agora está morta bem aqui na minha frente. Peçanha descarregou a pistola nela.
Dos sete tiros, um raspou meu braço e estraçalhou o pacote de cloroquina, outro acertou um cara meio corpulento, vestido de calça de camuflagem, camisa da seleção e uma bíblia na mão, que estava lá no cercadinho. O defunto já está coberto por uma bandeira do império que alguém tinha por ali, só ficou de fora a mão fazendo arminha.
O terceiro tiro tirou umas penas do filhote da ema. O quarto atingiu uma das vidraças do palácio. O quinto e o sexto ninguém sabe onde foram parar, mas o sétimo tiro acertou a miserável bem na cabeça!
- E o filhote?
- O quê, senhor?
- O filhote! Cadê o filhote?
- Fugiu...
Droga! São sempre os filhotes que dão trabalho.
Não muito longe dali, escondido pela vegetação, o filhote olha para o corpo da mãe com apenas um pensamento na mente: vingança!
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
