Doutrina Donroe: Trump arrocha salários e aumenta dívida dos trabalhadores no Brasil
A estratégia do presidente dos Estados Unidos impulsiona o rentismo, atrai capital especulativo e aprofunda o arrocho salarial no Brasil
O que aconteceu de mais importante na economia brasileira esta semana foi a valorização espetacular nas bolsas de valores.
Em janeiro, quem aplicou em ações ganhou cerca de 45%, 3 x 15%, patamar do juro Selic, taxa de juro mais alta do mundo.
Tudo isso decorre da política econômica do imperador Donald Trump, comandante da Doutrina Donroe.
Seu objetivo central é desvalorizar o dólar para aumentar exportações americanas e fortalecer a industrialização nos Estados Unidos.
Dessa forma, os EUA tentam disputar com as exportações chinesas, mais competitivas do mundo na atualidade.
O efeito imediato da desvalorização do dólar é a desdolarização da economia americana.
A moeda dos EUA migra para outros mercados, onde o juro é mais alto.
Como o Brasil pratica o juro mais alto do mundo — abaixo somente da Turquia —, a fuga de dólares busca nosso país.
Os investidores externos, portanto, estão se fartando tanto nos juros especulativos como nas ações com a fuga de dólares dos Estados Unidos, que aceleram, por sua vez, a desdolarização.
Por que desdolarização?
Simples.
Quem tem dinheiro aplicado nos títulos do Tesouro americano vende esses papéis diante dos riscos de desvalorização da papelada.
A dívida pública americana já se aproxima dos 40 trilhões de dólares, criando instabilidades gerais.
Efeitos sobre trabalhadores
A corrida para o Brasil, como se verificou nesta semana, prejudica os trabalhadores brasileiros, que já recebem o mais baixo salário mínimo da América Latina, perdendo apenas para a Venezuela, segundo a Cepal.
O juro elevado, que atrai dólar, aumenta a dívida pública, que fortalece o discurso neoliberal favorável aos cortes de gastos sociais, enquanto preserva os gastos financeiros, especulativos, exigindo pagamentos de juros de cerca de R$ 1 trilhão/ano, 8% do PIB.
A redução dos gastos sociais, que puxam a economia, e dos investimentos em infraestrutura diminui salários em subempregos no cenário de subconsumismo, enquanto amplia a desigualdade social.
Tal lógica só fortalece o rentismo enquanto enfraquece a renda média, que mantém a economia na armadilha do baixo crescimento.
Por isso, os trabalhadores, no contexto do rentismo em ascensão, ao lado da supervalorização do mercado acionário, sem correspondência na valorização dos salários, estão cada vez mais endividados.
O BC informa que 49,9% da renda dos trabalhadores estão comprometidos com dívidas no cartão de crédito, pagando juros de 60% na faixa livre do crediário.
Ou seja, a política macroeconômica neoliberal — abertura total ao capital externo, câmbio flutuante, cortes de gastos sociais para fazer superávit primário e metas inflacionárias hiperestritivas (3% a.a.) — achata os salários quanto mais avança a entrada especulativa de dólar bombeada pela estratégia econômica de Trump.
A desdolarização econômica global — que reflete a decadência da economia americana frente à economia chinesa —, responsável maior pelo aumento do juro no Brasil, vira funeral dos trabalhadores brasileiros mergulhados no arrocho salarial neoliberal.
A saída nacionalista, para impedir esse naufrágio neoliberal acelerado pela sangria de dólares rumo à economia brasileira, patrocinada pelo trumpismo imperialista, teria ou não que começar pelo estancamento da enxurrada da moeda americana rumo à América do Sul, neste momento?
Esta é a tática imperialista do poder monetário intrínseco à Doutrina Donroe, que não deixa o capitalismo periférico crescer sustentavelmente.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.
