Duelo ao amanhecer

"Nos Estados Unidos não existe direita e esquerda como nós as conhecemos. O país divide-se entre direita e extrema-direita", afirma Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia, em referência a Joe Biden e a Donald Trump, respectivamente. Biden, diz o colunista, "não deixa de ser imperialista". "Trump deu mostras de como um governante pode ser cruel", acrescenta

Joe Biden e Donald Trump
Joe Biden e Donald Trump (Foto: Reuters)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

As eleições nos Estados Unidos, e essa em especial, lembram filmes de bang-bang. Porque bang-bang sempre tem um duelo. Sempre tem um mocinho e um bandido. O bom e o mau.

O bom e o mau dessa eleição estão na cara.

Nos Estados Unidos não existe direita e esquerda como nós as conhecemos. O país divide-se entre direita e extrema-direita.

A direita é o Partido Democrata, a extrema-direita é o Partido Republicano.

O presidente democrata não deixa de ser imperialista porque a alma dos Estados Unidos é imperialista.

Ele não vai deixar de invadir algum país se for do interesse do seu.

Ele pode até ameaçar o mundo com uma guerra atômica, como aconteceu com John Kennedy.

Mas, como o mundo viu no caso de Kennedy, ele recua na última hora. Não aperta o botão. O democrata vai até um ponto, mas não o ultrapassa.

O republicano, sabe-se lá. Trump deu mostras de como um governante pode ser cruel.

É óbvio que o mundo, eu e a torcida do Flamengo preferimos a derrota do vilão. Ele está levando seu país à beira de uma guerra civil e o mundo ao permanente suspense com seus ataques à China.

E não soube proteger a população do país mais poderoso do mundo de uma pandemia.

E não se importa que as florestas queimem e o aquecimento global avance.

E não quer saber de dividir vacinas com os países mais pobres.

Ele é supremacista, incendiário e apocalíptico.

Nunca antes numa eleição americana donos de lojas protegeram vitrines com tapumes temendo depredações. Isso se deve a Trump.

Mais quatro anos de um governo de extrema-direita com o poder que tem um presidente americano podem ser decisivos para a extrema-direita se consolidar no Brasil e em todo o mundo.

As eleições americanas são mais estaduais que nacionais. Importa mais o resultado de cada estado – e quantos delegados tem – do que o resultado geral.

Mas não é uma eleição indireta, como dizem alguns.

Os eleitores do estado escolhem seu favorito em eleição direta e os delegados respeitam a decisão da maioria, com exceção de Maine e Nebraska, onde os delegados se dividem na mesma proporção dos resultados, ou seja, se um candidato obtém 40% e o outro 60%, 40% dos delegados votam num e 60% no outro no colégio eleitoral.

As pesquisas não dão grande vantagem nem a Biden nem a Trump em nenhum estado, é tudo meio parelho, um ponto a mais, um a menos, dois pra lá, dois pra cá.

Não sabemos quem tem a melhor arma, quem vai sacar primeiro, quem vai acertar o alvo.

Num duelo de bang-bang tradicional o mocinho sempre mata o bandido.

Mas não sei se estamos num bang-bang tradicional.

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

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