Dunga, o não paraguaio

A eliminação já era esperada. O futebol brasileiro vive a sua pior fase na história, tanto dentro como fora de campo. A seleção não tem a menor credibilidade

A eliminação já era esperada. O futebol brasileiro vive a sua pior fase na história, tanto dentro como fora de campo. A seleção não tem a menor credibilidade
A eliminação já era esperada. O futebol brasileiro vive a sua pior fase na história, tanto dentro como fora de campo. A seleção não tem a menor credibilidade (Foto: Nêggo Tom)

"Dunga (Dopey no original) é o mais jovem dos sete anões de "Branca de Neve e os Sete Anões". Ele é muitas vezes o alvo das piadas dos outros anões, e suas ações bobas e lúdicas, muitas vezes irritam o pomposo Mestre e o pavio curto Zangado. Ele não é estúpido, mas simplesmente age como uma criança ou um cão. Embora, ocasionalmente, choramingue, ria ou soluce....."

O Dunga que serve de introdução para esse artigo não é o técnico da seleção brasileira, mas qualquer semelhança entre ele e essa descrição do personagem da disney é mera coincidência. Ou não? Dunga é um dos mais novatos técnicos do futebol nacional, embora já tenha uma copa do mundo no currículo. Talvez seja um dos menos preparados para o cargo. Talvez seja um dos mais questionados de todos os tempos. E com certeza é o que pior convoca. Talvez por ter sido um jogador de técnica limitada, ele tenha apreço por jogadores com as mesmas características. Principalmente no meio campo. É pedir para ser alvo de piadas e críticas escalar Fernandinho, Elias, Fred e William juntos no mesmo meio de campo. É bobo e lúdico demais. Com certeza vai irritar a torcida. Não há criatividade. Tem pouca técnica. Não dá liga. Pergunto aos leitores, qual de vós gostaria de ter esse meio campo no seu time?

Mais uma vez nossa seleção canarinho foi eliminada de uma competição de forma patética. Os 7x1 não serviram para nada. A Copa américa do Chile mostrou que não temos time, não temos bons jogadores, não temos esquema tático e não temos técnico. Temos Neymar, o craque solitário e vaidoso, que apesar de ser o único capaz de nos animar, anda abusando de ser egocêntrico. Parece que deslumbrou com o sucesso no Barcelona. Está pensando que pode tudo e mais um pouco. Lhe deram a faixa de capitão e potencializaram os seus caprichos. Típico comportamento de um menino mimado que é o dono da bola na pelada e sabe que se ele levar a bola pra casa, acaba o jogo. Por isso todos o bajulam, mesmo quando está errado, como no caso da explusão contra a Colômbia e na decisão de abandonar o grupo alegando tristeza por não ter mais condições de jogo na copa américa devido a suspensão que levou. Tristeza que só durou até ele chegar ao litoral paulista e encontrar os "parças". É hora do relax. É hora descanso do capitão que abandonou os companheiros em plena batalha por causa de um sentimento egoista. Essa é a nova geração de líderes que formamos. E isso não se restringe apenas ao futebol, não. Kim Kataguri que o diga.

Voltando ao nosso anão comandante, ainda segundo a definição da disney, o Dunga original, assim como o técnico da seleção, não chega a ser estúpido, mas age com uma imprudência infantil, o que ele insiste em chamar de coerência. Deve ser muito coerente levar um jogador com a experiência de um Robinho, deixá-lo no banco de reservas e só colocá-lo em campo para assumir a responsabilidade porque o menino de ouro do time deu piti e não pode mais jogar. Assim também como deve ser coerente estar vencendo a fraca e inexpressiva Venezuela por 2x0 e após levar um gol do adversário, colocar mais dois zagueiros em campo para não correr riscos de um revés no placar. Não dá para esperar coerência do Dunga. Se ele fosse coerente nem teria aceitado ser treinador da seleção, por se reconhecer incapaz para a função.

A eliminação já era esperada. O futebol brasileiro vive a sua pior fase na história, tanto dentro como fora de campo. A seleção não tem a menor credibilidade. As convocações não convencem. Não há a menor empatia entre o povo e o time. Tudo é muito mecânico, sem emoção. A seleção virou balcão de negócios. Somos uma franquia do Shaktar Donesk. Jogadores são convocados e dias depois se transferem por cifras milionárias para outro clube. Alguém ganha muito nessa história. Talvez todos que lá estão ganhem muito nessas transações. Só quem perde é o torcedor, que cada vez mais não tem motivos para torcer para a nossa seleção. Não temos grandes craques. Não temos grandes homens em campo. Os caras perdem e saem como se nada tivesse acontecido. As entrevistas após a derrota soam como um discurso ensaiado de falta de comprometimento e paixão pelo esporte que praticam e pela profissão que exercem. Falta sangue na veia. Falta personalidade. Em contra partida sobra grana em suas contas bancárias, sobram visuais modernos em suas roupas, sobram gigantescos fones de ouvidos na chegada aos estádios, sobram penteados exóticos e principalmente sobram gols dos adversários em nossa rede.

Enquanto eu escrevia esse texto saía mais um gol da Alemanha.

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