E a educação? Um ano de Weintraub

O que vimos, então, nestes 12 meses, foi um ministro irresponsável e, assim como Bolsonaro, completamente indigno do cargo que ocupa.

Abraham Weintraub
Abraham Weintraub (Foto: Lula Marques)
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Em meio à pandemia do Coronavírus a situação da saúde pública tornou-se, naturalmente, o grande tema de debate nacional. A defesa do investimento Sistema Único de Saúde é imperativa. Assim como a proteção social com a manutenção da renda e dos empregos do nosso povo.

As aulas em grande parte das escolas e universidades do país seguem suspensas, mas não é tempo, por esse fato, de esquecermos a nossa educação. A ciência e a pesquisa, sobretudo nas universidades públicas, mostram seu importante papel contribuindo com o desenvolvimento de respiradores, testes e medicamentos para combatermos a pandemia. Ao passo que nosso ministro da educação segue protagonizando discussões vergonhosas no Twitter a ponto de ser repudiado pela embaixada chinesa.

No último dia 8 de abril alcançamos a triste marca de um ano de Abraham Weintraub à frente do Ministério da Educação. Em retrospectiva, lamentamos doze meses para se esquecer. 365 dias da pior gestão do MEC que já tivemos. 

Abraham Bragança de Vasconcellos Weintraub é economista, tendo feito a sua carreira no mercado financeiro e integra desde o início, na equipe de transição, o chamado núcleo ideológico do governo Bolsonaro. Com a saída de Vélez Rodríguez, deixou a secretaria executiva do Ministério da Casa Civil e assumiu o Ministério da Educação.

Em poucos meses, Weintraub já havia sido declarado inimigo da educação pública brasileira. Logo de cara, anunciou o contingenciamento de 30% da verba das universidades e institutos federais. “Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”, ameaçou. 

Muitas universidades ficaram sem saber se conseguiriam terminar o ano letivo. Para se ter uma ideia, estudantes e professores tiveram de conviver com o corte de energia na Universidade Federal do Mato Grosso. O cenário era estarrecedor. 

O Ministro, entretanto, seguiu entoando discursos de deslegitimação das universidades públicas. Parecia apostar na ideia de que a maioria da sociedade renegaria o papel da educação pública superior. Ignorava a gigantesca democratização havida nos últimos anos. Para ele, as universidades escondiam plantações de maconha e os Centros Acadêmicos eram “ninhos de ratos”.

A resposta da comunidade educacional foi categórica. Estudantes e professores se organizaram, junto aos sindicatos e entidades estudantis, e realizaram no dia 15 de maio de 2019, o chamado “Tsunami da Educação”, com grandes manifestações por todo o país.  

Weintraub respondeu apresentando o chamado projeto “Future-se”. Apelidado de “Fature-se”, o plano foi rejeitado pela grande maioria da comunidade educacional. Na prática a iniciativa representava uma ameaça à autonomia das instituições federais, impulsionando-as à lógica do mercado, uma vez que passariam a ser obrigadas a uma busca por financiamento privado para garantir o seu financiamento.

No dia 30 de maio, e em outras datas seguintes, tivemos estudantes e professores se organizando nas ruas em diversas manifestações em defesa da educação, contra este projeto e toda as políticas de desmonte promovidas por Weintraub e Bolsonaro.

A pressão fez com que o Ministro tivesse de recuar em boa parte do corte de verbas. Todavia, tivemos de sua parte, ainda, o corte de mais de sete mil bolsas da Capes ao redor do país, sendo a região Nordeste a mais afetada. O corte, que ao final representou 8% das bolsas do país, afeta a toda comunidade científica e o desenvolvimento nacional. 

Os ataques ao ensino público empreendidos por Weintraub também impactaram a maior prova de acesso às universidades: O Enem. Durante o ano de 2019, o Inep, órgão responsável pelo exame, passou longo tempo sem presidente. Dias depois da prova e de Weintraub afirmar que esse havia sido o melhor Enem da história, vieram à tona um festival de erros, prejudicando os estudantes. 

Milhares de notas estavam com problemas impactando o resultado do Sisu, o programa de acesso, via Enem, às universidades públicas, federais e estaduais de todo o país. Centenas de estudantes ficaram sem saber o que seria do seu futuro. E Weintraub, fazendo pouco caso da situação, dizia que o governo era alvo de uma  “chuva de fake news”

Neste ano, um debate fundamental para o futuro da educação pública é a continuidade do Fundeb. A principal fonte de financiamento da educação básica, o fundo tem prazo previsto para extinção no próximo dia 31 de dezembro. A discussão encampada pelas entidades educacionais passa por garantir caráter permanente ao Fundeb e por aumentar o aporte da União nos investimentos. Weintraub, que por longo tempo ignorou essa discussão, briga agora por uma participação menor do Governo Federal. 


O que vimos, então, nestes 12 meses, foi um ministro irresponsável e, assim como Bolsonaro, completamente indigno do cargo que ocupa. Um ministro que parece se preocupar todos os dias exclusivamente com brigas estúpidas no Twitter. Que criminaliza as oposições, que ataca as entidades estudantis, o conjunto estudantes, os professores e a toda a comunidade educacional. É inegável que Weintraub já pode ser considerado o pior Ministro da Educação da história. Ainda em tempos de pandemia, é sempre urgente dizer: Fora Weintraub!
 

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