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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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E agora, quem faz a faxina?

A direita estava saudosa da ditadura militar, as esquerdas queriam o desenvolvimento.

E agora, quem faz a faxina?

Os governos de esquerda garantiam o Estado de bem-estar social. Reduziram as desigualdades e promoveram condições humanitárias aos mais pobres. Um país sem elevador de serviço, de pobres nas mesmas lojas chiques, e pior, nas plataformas de embarques – as dondocas iam ter um chilique. Humm, era demais diziam os banqueiros e empresários de gravatas caras e as madames de saltos altos e cheiro de grife. Que é isso, Lula?!

Em 2006, de lá donde petroleira alguma antes se aventurara, exceto a Petrobrás com seus engenheiros e geólogos, jorrou o ouro negro e oleoso do pré-sal. Nas profundezas do litoral carioca havia a jazida abaixo das camadas salinas. As petroleiras estrangeiras com seus lobistas correram no Congresso para pegar o todo ou a fatia dessa riqueza. O governo de centro-esquerda resistiu. Para partilha em discussão a Shell, Chevron, ExxonMobil, BP, TotalEnergies, Equinor e Galp.

O governo e as esquerdas optaram por aplicar todo o dinheiro na Educação. As entidades estudantis caíram de cabeça com a palavra de ordem “Pula e sai do chão, o pré-sal é da educação”. A pressão dos estudantes em atos e blitz pelos corredores da Câmara, convencendo cada parlamentar a aprovar o projeto que destinou royalties do pré-sal para a Educação e Saúde pelo PL 323/07. Isso daria técnicos, cientistas, geólogos como os da exitosa Petrobrás, professores e desenvolvimento tecnológico e humano ao país. O golpe de estado fluía em curso silencioso desde 2007, contra a opção de igualdade social das esquerdas. A direita estava saudosa da ditadura militar, as esquerdas queriam o desenvolvimento. 

Em 2016, os próprios adversários reconheciam: Dilma é uma mulher honesta! A viam de manhã, toda esportiva a pedalar sua bicicleta e, ah, tiveram a seguinte ideia: que tal pedaladas fiscais! Fútil, mas esse seria o objeto da ação para tirar a esquerda do poder. 

Deposta, a presidenta disse: "Não gostaria de estar no lugar dos que se julgam vencedores. A história será implacável com eles". Após Dilma, o presidente da Câmara Eduardo Cunha entrou em desgraça com seus iguais – foi preso. Bolsonaro e generais na cadeia. As lideranças como as do PSDB e outros ficaram desacreditadas, assim como Aécio Neves que caiu no ostracismo. Nesse outubro, muitos zumbis se levantarão das tumbas. 

Após Dilma ficara o pior da política brasileira, o extremismo. Ninguém, nem os conservadores acreditariam num político “mau militar”, como lhe cunhou o próprio general Geisel. Foi eleito apresentando projetos? Não. Falava aos gritos, ofendia. O capitão Bolsonaro destilava ódio contra a própria política que o elegeu. Ódio às mulheres, gays, trans, aos afrodescendentes, a repórteres, a professores e mandava calar a boca a quem discordasse. Entretanto, um incidente violento em Juiz de Fora lhe deu a visibilidade invicta, por fim garfou a faixa presidencial para si, decorativamente.  

Dez anos depois, Dilma é presidenta reeleita do banco do BRICS. Aguardem o “Pix Global”, o nosso pix ao mundo todo, em plataforma de pagamentos digital e segura. Para viajar, nós e as faxineiras não vamos mais ter de comprar dólares. Ah, faxinar rende por uma sessão na academia chique, na sua casa.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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