É aqui. Não é aqui

É absurda a campanha da mídia sobre crise e "ajuda humanitária" a Venezuela – alimentos, remédios, equipamentos médicos – quando aqui aumenta o desemprego, a fome e a crise nas áreas de saúde e educação

É aqui. Não é aqui
É aqui. Não é aqui (Foto: REUTERS / Adriana Loureiro)

A nossa mídia impressa ­– com raras exceções – as emissoras de rádio e televisão concedem espaço quase diário à situação crítica na Venezuela, que sofre um bloqueio liderado pelos Estados Unidos e que conta com o apoio de seus aliados na Europa e nos países latinos, governados por grupos de extrema direita. É absurda essa cruzada da nossa mídia, de impressos em processo de falência, e da mídia eletrônica ameaçada por empresas americanas e da Europa.

Nessa marcha, apoiam o autoproclamado presidente Juan Guaidó e defendem a derrubada de Nicolas Maduro, em nome da democracia e das liberdades. Os nossos meios de comunicação vão além do posicionamento da imprensa americana, que discorda dessa loucura de Donald Trump, do seu vice Mike Pence. Aqui têm o respaldo do presidente Jair Bolsonaro, do ministro Eduardo Araujo, um serviçal do império, e das forças do mercado que mandam e desmandam nos destinos de nosso país.

A alegação dessa cruzada é uma suposta fraude no pleito que elegeu Nicolas Maduro, questionado pela assembléia nacional, aliada dos Estados Unidos e da decisão de Trump de colocar no poder o golpista Juan Guaidó. Daí a tentativa de forçar, com apoio do Brasil e da mídia, a ajuda "humanitária", ou seja, um pretexto para uma invasão por nossa fronteira ou da Colômbia. Até agora o governo Maduro resistiu à posição submissa dos latinos, do governo e do Ministro Eduardo Araujo com seus conceitos idiotas sobre política externa, clima, literatura e interesse nacional.

Nesse processo, é absurda a campanha da mídia sobre crise e "ajuda humanitária" a Venezuela – alimentos, remédios, equipamentos médicos – quando aqui aumenta o desemprego, a fome e a crise nas áreas de saúde e educação. Pior ainda: aqui não temos bloqueio, Aécio Neves foi apenas um ensaio de Guaidó, e agora surge Trump que tenta ter um trampolim para atacar a Venezuela e explorar o seu petróleo, ouro, nióbio e hidrelétricas.

É lamentável que a nossa mídia não perceba essa postura de autodestruição, violando sua credibilidade e nossa política de respeito ao princípio de autodeterminação dos povos. Afinal, a Venezuela é aqui – temos uma ex- presidente golpeada por um esquema midiático e parlamentar; e um ex-presidente preso por pressão de generais, que dominam um capitão que é mero instrumento de um governo de classe, servil aos interesses de grupos nacionais e externos sem sentimento de nação e de soberania. E que está entregando o que resta de nossas empresas e riquezas.

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